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As sandálias cor-de-rosa



São tão confortáveis que, às vezes, dou por mim a olhar para os pés para ter a certeza de que não saí de casa descalça. As tiras cor-de-rosa (também há branco e preto, no site da Camper) são tão suaves que quase não se sentem. A tira que aperta a sandália, atrás, é em velcro, que não é dos meus materiais preferidos. Mas o formato da sandália, o conforto e a combinação maravilha do rosa perfeito com o verde-água e o laranja da 'almofada' que serve de apoio ao tornozelo conquistaram-me. A mim, a senhora joga-pelo-seguro-é-melhor-comprar-branco-porque-dá-com-tudo. 

Há muito tempo que um par de calçado não me seduzia assim. Precisava de umas sandálias brancas, gostei deste modelo, mas depois de ter visto as cor-de-rosa nos pés da Joana Barrios fiquei a achar que aquelas é que eram mesmo lindas. Quando experimentei umas e outras, não tive dúvidas: as brancas são bonitas,. são igualmente confortáveis, mas não são lindas de morrer.

As rosa sim, ainda que não fiquem bem com tudo, que não tenha praticamente nada na mesma cor e que já me tenham feito experimentar praticamente todas as peças de vestuário para saber o que combina e o que nem pensar. Podem não ficar bem com tudo, mas com aquilo que combinam são perfeitas. 






Sandálias, coisas cor-de-rosa e saldos

Já tinha piscado o olho às brancas, antes dos saldos, mas nem chegou a transformar-se num problema. Esquece isso, quase nem usas sandálias, pensa noutra coisa. Até ontem, quando descobri as cor-de-rosa nos pés da Joana. São lindas, são ainda mais fantásticas do que as brancas e estão em saldo. 

Fiquei de olho nas brancas porque tive umas brancas que usei até morrerem de velhas e agora tenho umas de plástico que não devia ter comprado porque o plástico não é coisa boa para o calor, tudo desliza, parece que estou a caminhar com um balde de água nos pés, devo ficar muito pouco graciosa a caminhar daquela forma. E para que preciso eu de umas sandálias se não as posso usar quando está calor? 

Dizia, então, que as ditas sandálias ganharam vida na minha vida quando vi as cor-de-rosa nos pés da Joana. São perfeitas. Há uns anos, tê-las-ia comprado sem hesitações. Tive montes de sapatos super originais de todas as cores, porque me apaixonava por eles. Acho que, em parte, isso justifica o meu guarda-roupa ainda bastante preto e liso. Preto e liso dá com tudo, e o meu "tudo" que precisava de combinações seguras sempre foram os sapatos. 

Os anos tornaram-me mais comedida (retraída?) e comecei a preferir apostas mais transversais. Sapatilhas brancas, botins brancos estilo sapatilha e as ditas sandálias brancas que se estragaram para conjugar com cores claras (ou com preto) nos dias mais quentes. Botas altas pretas, botins pretos, sapatos oxford pretos para vestir com preto ou cores mais vivas, durante a época fria. Miúda, tornaste-te num aborrecimento.

As sandálias cor-de-rosa são a minha cara mas não as consigo virtualmente conjugar com toda a roupa que tenho (sim, é esse o ponto a que chego, se não combina com tudo, ou quase, não vale a pena). As brancas também não, mas neste caso a dificuldade seria apenas combinar estilos, porque o branco é como o preto, dá com tudo. É oficial, o branco transformou-se no meu novo preto, 

A emoção leva-me para as cor-de-rosa, e o meu lado mais racional leva-me para as brancas. Sinto que seriam a escolha mais "segura" e, por isso, um melhor investimento. O melhor é deixar-me ficar nesta indecisão, a ver se a paixão passa. E os saldos também. 

Changing...


Não é uma mudança radical, mas é daquelas que gosto de fazer - uma mudança assim-assim, daquelas que me tornam diferente sem me deixar desconfortável. Estes botins fogem ao 'completamente rasos e redondos à frente' que mais uso, mas também não são um salto alto. Têm um tacão de uns centímetros e são bicudos à frente, mas o ar 'clean' e básico faz com que não dêem demasiado nas vistas e, ao mesmo tempo, combinem com quase todo o meu guarda-roupa, tanto com as versões mais alternativas como nas mais clássicas, tanto com calças como com vestidos (como é o caso, hoje). 

Não compro, mas gosto de ver


















Depois do que escrevi ontem, acho que ficou clara a minha aversão às Black Friday e eventos sucedâneos para nos fazerem gastar dinheiro naquilo de que não precisamos, nem sequer gostamos ou fica longe de assentar super bem. O que não quer dizer que não goste de promoções. Gosto, mas acho que as devemos aproveitar para comprar aquilo que acabaríamos por comprar mesmo sem saldo, porque precisamos mesmo ou porque gostamos mesmo a sério (e porque temos dinheiro para isso). Entretanto, sem querer, cruzei-me hoje, sexta-feira negra, com estas botas da Five Plus One, à venda na Fresh Jealous... E concluí que até posso não comprar, mas dificilmente alguma vez vou deixar de apreciar.

Brilho de Natal


























Eu até sou muito pouco "natalícia", acho que bastante por força da invasão de enfeites e sugestões de prendas que começam a chegar bem antes de dezembro e das filas (nomeadamente as de trânsito) associadas às compras de uma festa que é suposto ser bem menos consumista do que aquilo em que a tornamos.

Acontece que os brilhos estão na moda todo o ano, já não são coisa que se use só nas festas. Por outro lado, as compras online são uma boa forma de ultrapassar a época festiva sem perder tempo ou paciência. 

Não resisti, por isso, a partilhar um dos modelos da Xperimental Shoes criado para a ocasião (que, já se sabe, é quando uma mulher quiser): a Chloé, uma bota modelo Chelsea cheia de brilho que me disseram estar também disponível em azul. Existe também o modelo Matilde, um sapato mais "clássico". 

Os produtos de Natal da marca vão estar disponíveis aqui.

Acho que gosto...


Acho que gosto destes. Ando viciada em azuis. São pancas. O mais normal é comprar pretos. Cinzas e azuis também - ficam bem com tudo. Depois tenho fases em que acho que preciso de rosas, vermelhos, amarelos e outras cores alegres para quebrar a monotonia dos pretos, dos cinzas e dos azuis. De vez em quando, apanho a febre dos azuis ou dos brancos. Neste momento estou na dos azuis. E, com isto, já escrevi não sei quantos carateres sem dizer nada. A minha esperança é um truque que estou a testar: quando gosto tanto de uma coisa que me apetece comprá-la, a vontade vai desaparecendo se insistentemente continuar a olhar para ela até me fartar.

Desejos


































São estes para levar, por favor. Nem é preciso embrulhar. Camper, na Prof ou na Goodvibes.

Botins, a super moda do outono 2015


Nem é preciso entrar nas lojas, basta olhar as montras: os botins (ou ankle boots/botas pelo tornozelo) são uma das peças chave deste outono. Estão em todo o lado, nos mais variados modelos, alturas e tipos de salto. Parecem todos um bocadinho iguais, mas são todos diferentes. 

Neste início de outono e de outubro, ando um bocadinho obcecada com eles e voltei a ficar de beicinho caído por uns pretos da United Nude, à venda na Prof, que ando a namorar há anos. Têm um bocadinho de salto mas parecem-me lindos, confortáveis e muito mais perfeitos do que qualquer outra opção mais barata - talvez por isso, nunca os comprei, nem em saldos. 

Não sei se combinam com alguma das peças de roupa que tenho no armário, porque só uso sapatos rasos, botas e sapatilhas, mas a cada início de estação enamoro-me por eles, tão lindos, não fosse o preço e já eram meus. Ando durante dias (desta vez já são semanas) a convencer-me de que não posso (comprar) e, quando chegam os saldos, a descida de preço nunca é suficiente para me levar a achar que é uma aquisição que vale a pena. Até à estação seguinte, em que volto a morrer de paixão e fico a pensar por que motivo não aproveitei eu a redução de preço do ano anterior. 

Na imagem acima podem seguir as setas para ver os vários modelos que fui encontrando, de várias marcas, e que me agradaram.  

Todas as dicas possíveis (ou quase) para enfrentar um casamento com sapatos que magoam


Uma leitora enviou-me por e-mail (the.divine.shape@gmail.com) uma pergunta muito simples e direta que se transformou num guia sobre "como superar um casamento depois de ter escolhido uns sapatos que magoam horrores". Podia ter-me limitado a responder, mas não consegui. Só podia ir muito mais além, depois de confrontada com a hipótese de alguém ir a um casamento com uns sapatos que já magoavam antes do massacre de um dia inteiro em cima deles. 

Os leitores mais habituais talvez já se devem ter apercebido de que não uso sapatos altos - não consigo, não me sinto bem com eles e, como tal, elegância é tudo o que não conseguirei transmitir ao usá-los. Conforto não tem de ser sinónimo de displicência. Os sapatos rasos não têm de ser feios ou insípidos, nem demonstrativos de desleixo. Bem escolhidos, são uma demonstração de estilo - basta a pessoa estar confortável, sentir-se bem e ter nos sapatos uma parte do conjunto.

Os casamentos podem ser um verdadeiro castigo para os pés, todos sabemos disso. Quem nunca estreou uns sapatos no dia da cerimónia e acabou descalço, ou com muita vontade de o fazer, que atire a primeira pedra. Ainda recentemente, um colega do sexo masculino, que levou a um casamento uns sapatos que já não eram novos e que passaram pelo sapateiro para alargar, admitiu que ao fim da noite teve de os tirar. 

Agora imaginem o que pode acontecer a uns pés enfiados nuns saltos altos, que é o que a maioria das mulheres faz quando vai a um casamento. E que riscos corria uma mulher que já sabia da dor que os sapatos provocavam ainda antes de passar um dia em cima deles. As imagens que me passaram pela cabeça eram tudo menos boas: CASAMENTO (algo que é suposto ser um momento alegre, feliz e divertido) + SAPATOS QUE MAGOAM AINDA ANTES DE LÁ CHEGAR = Tudo menos felicidade e diversão.

A leitora gostou taanto da resposta que achou que eu faço disto profissão e que me devo divertir imenso com isso. Sou feliz a dar estes conselhos, realmente, e adoro lidar com moda e tentativas para superar dificuldades que, embora pareçam picuinhas, podem bloquear a vida de uma mulher. Ou a forma como ela encara a vida (ok, menos, eu sei que neste caso era só um casamento). A verdade é que ser Fashion Adviser não é a minha profissão, embora gostasse que fosse. 

Passo, então, a reproduzir o e-mail, com a devida autorização da leitora e alguns ajustes: 

A pergunta, como disse, era simples: "Vi no seu blog as sabrinas dobráveis, mas não sei onde as posso encontrar em Lisboa. Tenho um casamento no próximo sábado, levo uns sapatos que me magoam muito e gostava de levar o meu plano B na mala. Pode ajudar-me?"

Eu não pude ajudar muito porque as sabrinas em questão não estão à venda em Portugal e nem através dos meus contatos com a marca conseguiria fazê-las chegar a Portugal a tempo do casamento. À falta de melhor, seguiram-se os conselhos e toda uma tese sobre o facto de não ser necessário ir a um casamento de saltos altos. 

1. USE SAPATOS DE SALTO RASO
Até a Barbie, que passou uma vida inteira em bicos de pés, já usa saltos rasos, embora eu não saiba ainda se ela o faz para ir a casamentos. Tendo em conta que estamos a falar de uma boneca, a verdade é que ela pode fazer o que bem entendermos e, por mim, ela não só pode como deve ir a casamentos sem saltos altos. 

Para mim, o mais importante é o conforto. Para além disso, desde há muito que os sapatos rasos deixaram de ser desengraçados e desde há outro tanto que não faltam opções sofisticadas de sapatos sem salto. 

Não sei se já se apercebeu, pelos relatos no meu blog, vou ter um em agosto e que também andei/ando às voltas com os sapatos que vou usar. São raros os sapatos altos de que gosto e estou decidida a ir de sabrinas - tenho umas que comprei para um casamento a que fui em 2008, quando estava grávida do meu filho, e nunca mais as consegui calçar, pelo que estão novas (são as que se vêem na imagem e aqui).
Não suporto calçado que magoe e prefiro mil vezes ir confortável do que ir de sapatos altos ou sapatos novos que magoem só porque é suposto. Vou acabar por me sentir miserável e não há ninguém a sentir-se assim que possa, ao mesmo tempo, estar e mostrar sofisticação e elegância.

2. FAÇA TREINOS EM CASA PARA MOLDAR OS SAPATOS AO PÉ
Aqui, neste artigo, fala-se sobre como evitar que os sapatos magoem. Pode ser que ajude. Não sei até que ponto os sapatos que tem lhe magoam. Se já a magoam e muito, é provável que se tornem insuportáveis em pouco tempo no dia do casamento. 

O que eu costumo fazer quando tenho sapatos que magoam é usá-los em casa, ao fim do dia, enquanto faço as tarefas domésticas. Convêm usá-los e andar com eles durante algum tempo - o tempo suficiente para que o pé aqueça e se vá moldando ao sapato. 

Desta forma, é possível que consiga prever onde é que o sapato a vai magoar mais e onde é que poderá fazer bolhas (se fizer bolhas é muito mau e nem umas boas meias de vidro evitam as bolhas em alguns sapatos rasos, experiência dixit).

3. USE UMAS MEIAS GROSSAS PARA OS ALARGAR 
Pode também usar os sapatos em casa com umas meias grossas, para fazer o mesmo efeito ao mesmo tempo que os alarga um pouco. 

4. SE OS SAPATOS FOREM DE PELE, DÊ-LHES BANHO
Em último caso, se os sapatos forem de pele, pode dar-lhes um "banho" de água quente, secar com uma toalha e andar com eles calçados até secarem. O efeito é o mesmo - vai ajudar a que se moldem ao pé.

5. NÃO GASTE MUITO DINHEIRO NUM PLANO B
Se o que precisa é apenas de um plano B para o caso de não aguentar os ditos sapatos, a recomendação é que não gaste muito dinheiro, mas ao mesmo tempo compre qualquer coisa que possa voltar a usar. 

Tem de ser algo que combine com a roupa do casamento, claro, mas se for uma coisa para não voltar a usar vai ficar com dois sapatos no armário: os que magoam e os do plano B. 

Não se esqueça de também andar com eles em casa - a mim, até as sabrinas podem magoar-me e fazer-me bolhas.

6. ONDE ENCONTRAR SABRINAS GIRAS OU SAPATOS DE SALTO RASO DE DEIXAR UNS STILETTO ENVERGONHADOS
Quanto a opções, e já que me perguntou sobre sabrinas, há sempre soluções baratas na Lefties (o outlet da Zara) e na Parfois (ainda na semana passada lá vi umas prateadas bem giras, que podiam bem servir como plano B para mim).

Na Prof também há sempre várias opções, ainda que a preços menos simpáticos. Cheguei a namorar uns sapatos rasos United Nude prateados, mas desisti por causa do preço. Não os estou a conseguir encontrar no site, mas são a versão rasa deste sapato.

Na Eureka Shoes também se encontram modelos interessantes, às vezes a preços mais simpáticos do que os da Prof . por exemplo estes.


Estrear sapatos sem calçado de reserva não, obrigada



Há pessoas mais sensíveis do que outras e eu tenho um problema com calçado novo, é verdade. Gosto muito de sapatos, sandálias, sabrinas, sandálias e tudo o que seja para enfiar nos pés mas, salvo casos raros, tudo o que compro magoa-me no primeiro dia de utilização. Se o que estiver em causa não forem sapatilhas ou botas de inverno (julgo que é o facto de as usar com meias grossas o que as coloca na lista de exceções), é certo que fico com os pés terrivelmente apertados ou com bolhas: no calcanhar, nos dedos, nos sítios mais improváveis. Até os sapatos mais insuspeitos me fazem bolhas: espreitem só o link para este artigo que ainda recentemente escrevi sobre umas botas que nem eu diria que podiam dar-me cabo dos calcanhares. 

Se forem umas sandálias pode acontecer-me o mesmo, embora seja com as sabrinas que o caso mais se agrava. As que tenho em casa são anteriores ao nascimento do meu filho e deixaram de me servir (o pé alargou, ou eu deixei de o conseguir ter apertado, não sei). Volta e meia calço-os, mas magoam-me, desisto, volto a guardá-los. Já tentei um número maior mas o 37 aperta e o 38 fica largo. Desisti. Até ontem, 

Enfiei os pés numas sabrinas da Lefties (ou seja, bastante em conta, para não dizer baratas), ligeiramente pontiagudas às risquinhas pretas e brancas (tentador, certo?). Nem apertavam nem ficavam largas. É mesmo isto. Claro que tinha de as usar já hoje, ainda que com meias transparentes, não fossem as ditas fazer-me bolhas nos pés descalços. Ainda pensei enfiar na mala do carro alguma coisa que pudesse substituí-las para o caso de o nosso relacionamento dar para o torto, mas a coisa correu tão bem enquanto andei a cirandar com elas em casa que acabei por me esquecer. 

Erro fatal: nunca, mas nunca, se deve estrear calçado para ir trabalhar com a perspetiva de caminhar fora do escritório sem ter na mala do carro ou numa mochila alguma coisa para enfiar nos pés, para a eventualidade de a combinação pés + sapatos novos dar para o torto. Hoje correu muito mal. Tão mal que estava a ver que não conseguia regressar ao trabalho. O raio das sabrinas às risquinhas fizeram-me bolhas nos dedos mindinhos e só não fizeram o mesmo em mais sítios porque tive de me arrastar até uma farmácia para comprar uns pensos tão caros que quase davam para outros sapatos. 

Cheguei ao escritório e descalcei-me. Assim teria permanecido se não tivesse de sair outra vez em trabalho. Podia também ter resolvido o problema (sim, eu sei, parece que nós, mulheres, arranjamos problemas em coisas de nada e no fundo é um bocadinho verdade, mas experimentem ter os pés feitos em frangalhos e cheios de dor para ver o que custa) com umas chinelas que alguém viu numa loja a quatro euros, mas possivelmente nunca mais as ia enfiar nos pés. 

Optei por comprar uma coisa de que gostava, mais clara, evidentemente, mas que me há-de servir para o verão todo: umas sandálias brancas da Igor, que são mesmo iguais a umas Melissa Fox pelas quais me apaixonei há um ano mas que nunca comprei. Contas feitas, o barato saiu caro. O problema maior foi, no entanto, a falha na precaução: jamais te enfies nuns sapatos novos num dia de calor sem ter uma boa alternativa guardada por perto. Podes acabar cheia de bolhas a ter que comprar o que nem querias (ou querias e não devias).




Sandálias aranha com sola de alpargatas


A marca é espanhola, foi criada em 2014 e chama-se Flamingos' Life. As sandálias são as "velhinhas" aranha, mas algumas misturam o plástico do exterior com a sola das alpargatas e o resultado funciona. Para além disso, não é em contacto com o plástico que o pé fica, o que é uma grande vantagem em relação às restantes marcas. Não me venham com coisas, o calçado de plástico nunca resultou e não há evolução tecnológica que o salve. O pé escorrega e os pés não foram feitos para escorregar dentro do calçado. 

A minha mãe sempre recusou comprar-me calçado de plástico e só abriu uma exceção por causa de umas sandálias cor-de-rosa da Barbie (não tinham propriamente uma Barbie, tinham dois corações, mas já era o branding a funcionar - tinham o carimbo da marca, eu tinha de as ter, eram mesmo lindas). Imagino que a cedência se deva a uma tal insistência que ela optou por deixar que eu própria comprovasse o resultado de andar com aquilo nos pés. 

Eu devo ter resistido até onde foi possível até admitir que aquilo escorregava. Mas um dia foi inevitável: estraguei-as, num dia de tanto calor em que até o asfalto derreteu e eu, a caminho de casa da minha avó, tive de caminhar com os pés a arder, numa mistura de plástico desfeito com o que parecia uma cola preta espessa.

Estas, dizia eu, não deixam os pés em contato com o plástico, tem um toque especial com a sola das alpargatas e o plástico parece super flexível e confortável. A marca assegura que são os produtos usados são 100% naturais, mas o que mais me convenceu acho que foram mesmo as cores: quero estas, as rosa, as "The Caribbean Pepper", nunca estive tão pouco hesitante em relação a uma cor,






Em caso de dúvida, optem pelo conforto


Depois de anos com o pé confortável e à larga num 38, não acreditem que o 37 vos vai servir. Mesmo que pareça (e parecia), que se afigure impossível poder magoar (e afigurava) ou que seja o único número disponível (não era o caso). O raio das botas-sapatilha hão de alargar mas já estou para lá de cansada de andar com os pés apertados lá dentro com umas meias grossas (aceito sugestões de outros truques que não impliquem levá-las ao sapateiro). Há muito tempo que estou muito além do no pain no gain. Se for tudo fácil, agradeço. Roupa e calçado não merecem sacrifício.

Experimentar até resultar


A marca não é nova e já tinha chamado a minha atenção. Mas basta acenarem-me com saltos rasos nuns sapatos bem desenhados para eu ficar de beicinho caído. E foi o que me aconteceu com as mais recentes coleções da Xperimental Shoes. A de outono/inverno (adoro estas botas) e a já concluída primavera/verão 2015, cheia de inspirações japonesas, de saltos rasos e desenhos que nos fazem ficar perdidas de amores. A mim, pelo menos. Olhem só para a fofura daquelas botinhas brancas. E os sapatos azuis? A sola também parece ser super confortável. 

A Xperimental Shoes nasceu em setembro de 2012 a partir da fusão de duas áreas complementares: a moda e a comunicação. Inicialmente, a marca apresentava-se como irreverente, de vanguarda, até desafiadora e chocante. Com o tempo transformou-se em algo mais urbano, coerente e global, mas sem perder a personalidade. Eu gosto mais desta versão. Fiquei fã.


É o fim da tirania. Boa miúdas, juntas fazemos a força!

Os tempos de sacrifício em torno da beleza e elegância foram-se, o futuro passa por sermos quem somos sem vergonhas ou preconceitos e por nos sentirmos confortáveis. Definitivamente, as mulheres disseram não à tirania. Grande parte delas, pelo menos. Uma parte substancial, suficiente para mudar filosofias em designers e marcas de moda. Só assim se explica que, de repente, as sapatilhas de desporto fiquem bem com tudo e apareçam até nos blogs das mais sofisticadas fashionistas. 

É apenas uma moda, como outra qualquer? Pode ser que sim. Mas é preciso ver mais além, e também um pouquinho mais atrás. São cada vez mais as marcas que se querem afirmar pelo conforto. São cada vez mais as empresas que falam na personalização, em produtos práticos e adaptados à vida quotidiana, no regresso aos básicos, no estar bem connosco próprias. A coisa vai até mais longe, com a aposta em solas que massajam os pés (como os Barefooters) ou que se moldam à forma natural dos pés, como se fossem uma almofada anatómica (caso da marca Bernie Mev, que já chegou a Nova Iorque). Até a totalmente avant-garde United Nude, do arquiteto Rem Koolhaas (que desenhou a Casa da Música, no  Porto), parece apostar cada vez mais nos rasos (a coleção deste inverno é uma tentação, não fossem os preços totalmente exagerados e desmotivadores)

E, bem vistas as coisas, talvez este não à tirania que as mulheres foram gritando, primeiro bem devagarinho e baixinho e depois cada vez mais alto, explique como é que, há cerca de 15 anos, comecei a resolver o meu problema em encontrar sapatos de salto raso. Na altura era um achado encontrar um par de sapatos sem salto minimamente engraçado ou sofisticado, agora é o que mais há, difícil é escolher. Boa, raparigas, afinal fazemos a força. 

Claro que há quem possa achar os saltos altos mais confortáveis do que os rasos (conheço vários casos) e mulheres para quem usar stilettos não é sacrifício nenhum. Mas para mim era. Seria, se alguma vez me tivesse atrevido. Quando fui morar para Coimbra, todo aquele empedrado, as subidas e descidas foram suficientes para me deixar desconfortável com saltos medianos e nada estreitos. No Porto, a necessidade de estar pronta para tudo a que a profissão me obriga fez o resto: nada de alturas, quero tudo raso. E depois, a satisfação: estes são mesmo lindos, não escolhia outros, não quero os saltos altos para nada. E ainda a constatação: os saltos altos não são para mim, não são quem eu sou, usá-los é como entrar no corpo de outra pessoa e eu sou mais eu, não preciso disso para nada, é possível ter todo o estilo do mundo com os pés bem assentes na terra.

Desenhados na Suécia, feitos em Portugal

São desenhados na Suécia e feitos em Portugal. A imagem de marca são as linhas simples, quase minimalistas. A Rokin Footwear nasceu em 2006 com a máxima "shoes first", ou seja "os sapatos primeiro". A etiqueta pretende ainda expressar a consciência e confiança que compõem um visual moderno que nunca se sente como distorcido. A marca centra-se em produzir sapatos de alta qualidade, desenhados para pessoas com gostam de linhas simples e expressão pessoal.

Saldos, outra vez, bons negócios e horários por cumprir

O Facebook da loja anuncia a contagem final para os saldos. Ainda falta um mês, mais coisa menos coisa, mas contagem final dá ideia de muito bons preços. Na montra, há papéis com a palavra saldos em todo o lado e quase posso garantir que vi um a dizer "até 70%". Não procuro nada em particular, mas entro seduzida pelo marketing. Encontro uma peça a menos de 20 euros (20 euros era, aliás, o preço inicial), o que nem é mau, tendo em conta a loja que é, as marcas que vende e os respetivos preços. A funcionária aparece ao meu lado sorridente, contente até. Diz-me "hoje estamos com uma promoção de 30% em tudo". Eu fico uns segundos a pensar: Mais 30% sobre os preços de saldo marcados ou o que está marcado já são os 30%? A primeira opção até seria lógica, pelo entusiasmo da funcionária e pela informação dada verbalmente quando já havia papéis a falar de saldos em todo o lado, mas pareceu-me demasiado boa para ser verdade. Perguntei. Confirmou-se. Era 30% em tudo. Grande coisa, quando se fala em 50 e 70% e contagem final...  30% não é nada em peças que custam um balúrdio. Ficam apenas a custar um balúrdio mais pequenino. Só compra quem quer, claro. Mas se perdi o meu impulso e/ou poder de compra para pagar acima de determinado valor, acho que também desapareceram as minhas paixões à primeira vista que até se revelam amores duradouros. Uma coisa há-de estar relacionada com a outra. Mas, sobretudo nos saldos, fico pasmada com o preço da roupa. O que fazem ao que não vendem? Tentam vender na estação seguinte como se fosse novo (sim, tentam, há artigos que me ficam no olho e sei que o fazem)? Mas e se não vendem? E se nunca vendem? Será que vendem sempre, que há sempre alguém que compra. Sempre que entro em lojas em saldos onde já está tudo amontoado ou onde os preços continuam significativamente altos fico com a certeza de que a roupa e o calçado estão estupidamente caros e com a dúvida sobre o destino do que não se vende. 

Umas botas de 180 euros, mais coisa menos coisa, por 70 euros, são um bom negócio? Aparentemente sim. Mas, caramba, continuam a ser 70 euros. Prefiro (ou não tenho outra hipótese que não seja) dar 20 por algo que custava 69 e que vou ter de aprender a gostar do que aterrar de cabeça numa das tais paixões. Podia juntar vários 20 euros e comprava melhor? Podia. Mas não preciso apenas das botas, tenho uma criança que cresce muito e faz-lhe falta roupa nova todas as estações. De toda a forma, acho quase escandaloso que algo custe tanto dinheiro. E os horários? Passo por lá às 13h e está fechada, às 13h30 está fechada, às 14h fechada, às 14h30 fechada. Já estou a falar de outra loja do Porto e as passagens foram em dias diferentes. Numa zona de comércio e serviços, onde muita gente aproveita a hora de almoço para ir às compras, não consigo compreender estas novas lojas onde está afixado um horário contínuo que não é cumprido. Nem que elas não entendam o lucro que podiam ter se estivessem abertas, sobretudo quando estão mesmo ao lado dos restaurantes onde vai almoçar quem trabalha por perto. Também não gostos das mais antigas, que assumidamente fecham para almoço. Mas nestas, pelo menos, sabemos com o que podemos contar. Nas outras é uma questão de sorte. 

Saltos rasos são tendência e a Weekend Barber mostra como podem ser encantadores



Tudo que seja calçado com saltos baixos desperta o meu interesse. Passaram-se anos até que as marcas percebessem que há todo um universo de gente interessada em moda e estilo que não gosta de saltos altos. Andei anos e anos em busca de saltos rasos interessantes e durante muito tempo não encontrei nada a não ser quando descobri a espanhola Camper. E, depois, quando descobri a brasileira Melissa. Foi uma mudança considerável no meu estilo de vida. De me vestir também. Sapatos rasos passaram a poder ir a casamentos, a sair à noite num estilo mais formal ou mais alternativo, tudo com muito estilo, sem a mínima sombra daquela desconfiança que antes tinha do se-calhar-devia-ter-feito-o-sacrifício-e-ter-posto-uns-saltos.

Agora não, é notório que são muitas as marcas a apostar nos saltos rasos, nomeadamente as grandes marcas. A Guava, marca portuguesa de sapatos com expressão internacional, é uma delas. Os outros sapatos podem ter um design mais cativante e arrojado, mas os saltos baixos também têm o toque necessário para os tornar diferentes e originais. A Weekend Barber, também nacional, é outro dos excelentes exemplos de como o design pode ser MESMO interessante, mesmo se os saltos não forem altos. A coleção primavera/verão 2014 já chegou para o comprovar. Adorei os exemplares todos, até as fotografias estão cativantes. Por falar nisso, senhores que vendem sapatos: quando os mostram nos sites, mostrem-nos calçados nos pés de alguém. É que ver o sapato é uma coisa, ver como ele calça é outra bem diferente (podia dizer o mesmo em relação à roupa, mas na roupa acontece mais achar que tenho de a experimentar para ver como me assenta no corpo; em relação aos sapatos, na maior parte das vezes apenas gostava de ver como ficam nos pés)

Não me parece que isto dos sapatos rasos seja só uma moda. Acredito que seja uma tendência. Os últimos anos, acho que sobretudo os últimos dois, mostram uma inversão. Quem gosta de estar na moda e de ter estilo também gosta de conforto. E também acredita que para ter estilo não é preciso estar nas alturas. Mais ainda, é gente que fica melhor sem salto, porque os saltos altos não encaixam com o resto do conjunto.

A menina dança?

Eu sei que eles têm salto e que o meu calçado não vai muito além dos totalmente raros. Mas estes são dos sapatos de salto de que mais gosto. Aprecio o design, a forma como assentam no pé, o aspeto vintage, a elegância. No fundo, também acho que, se a inspiração vem dos sapatos de dança, tem de haver neles algo de confortável (quem é que consegue dançar horas e horas com saltos nos pés se o calçado não for minimamente confortável? será tudo sacrifício?). 

Também pensava que o universo dos sapatos de dança só estava acessível em lojas especializadas e toda esta reflexão ocorreu durante um período considerável em que andei a fazer um longo trabalho sobre tango e durante todo o tempo em que, já tendo acabado a reportagem, não me saiam da cabeça o tango, a música, a cumplicidade do par, os movimentos arrebatadores e gentis, e aqueles pés enfiados em saltos como se estivessem numas sabrinas, leves, ágeis e fortes, tudo ao mesmo tempo.

Agora, para dançar ou não, existe a Rumbanita Dance Shoes, que nasceu do gosto pela dança de uma designer de calçado. Depois de descobrir o mundo das danças latinas, a ligação de Mariana Simões com o mundo da moda conheceu um novo aliado. A intenção foi criar uma linha de calçado confortável, bonito e a um preço acessível para as aulas de dança, cuja oferta não encontrou no mercado. Estava criada a janela de oportunidade para criar algo novo, cujo conceito passa por uma imagem ultra-feminina ligada ao vintage, pin-up e retro.

Com três coleções (Rumbanita Collection, Kizomba Diva Collection e Basic Star Collection), esta marca portuguesa promete encher de elegância, sensualidade e estilo todas as pistas de dança, mas também oferecer o calçado ideal, elegante e confortável (são eles que dizem, eu não experimentei) para casamentos ou eventos. Os sapatos com assinatura Rumbanita estão à venda no site www.rumbanita.com

Botas verdes






O verde não é a cor delas, faz parte do nome inglês dado à marca portuguesa que já se internacionalizou e que não descura as preocupações ambientais. É a partir de Leiria que a Green Boots produz botas e sapatos manufaturados nos quais se utilizam, entre outras matérias-primas, a borracha reciclada dos pneus, trabalhada e transformada em solas.

Criada em 2012 com base no legado do mestre do calçado nacional José Rodrigues Serrazina, a marca optou por ter como ponto de partida as botas que começaram a ser manufaturadas 58 anos antes. Todos os modelos são feitos usando os processos tradicionais da fábrica original, transformando cada artigo feito à mão num trabalho personalizado.

Cada par de Green Boots demora cerca de quatro horas a fazer, sem pressas, com o conhecimento, tradição, qualidade, materiais e dedicação típicos de outros tempos. Podia dizer que as botas me interessam pela sua vertente ecológica e tradicional, mas olhando para elas o que vejo é conforto e calor, muito calorzinho para manter os pés quentinhos, que eu preciso de botas praticamente até me sentir capaz de andar de sandálias. 

Lemon Jelly para o calor



Cores claras e leves, entre o rosa bebé, o lilás, e o azul céu, mas também brancos, vermelhos, azuis escuros, misturas de cores, em sapatos, sandálias e botas pelo tornozelo: a primeira coleção da Lemon Jelly para a primavera/verão já está a chegar ao mercado. Lançada em março 2013 com uma coleção de outono/inverno, a marca do Porto apresenta agora uma linha de propostas para o calor. 

Eu ando com um certo fetiche por sandálias brancas, por isso foi esse o artigo que escolhi como preferido nesta coleção. Elas, e as botas azul bebé. Nem sequer costumo usar botas na primavera, mas a primavera do Porto também é feita de chuva e aquelas, ainda por cima naquele azul, parecem uma excelente aposta. 

Foi depois de 40 anos no mercado do calçado, a desenhar e a fabricar solas injetadas para marcas de todo mundo, que os responsáveis da marca decidiram que era altura de vender o produto da sua imaginação. Para lá chegarem, ao que podia resultar, durante uma semana deixaram de ser "apenas uma jovem equipa de criativos" para se transformarem em "pessoas em busca da fórmula de felicidade", tentando descobrir algo mais sobre a alegria de viver. No brainstorming, vasculharam os sentimentos para "escolher os sabores, as cores e as formas dos mais simples prazeres da vida". No fim, fizeram sapatos com isso.

O calçado da Lemon Jelly inspira-se em gelados, gomas, rebuçados, chupa-chupas, geleia e outras coisas doces e agradáveis. Desenhados, desenvolvidos e produzidos em Portugal, são um produto de alta tecnologia, mas que depende da sensibilidade humana para a escolha de materiais e para a atenção aos detalhes.