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Experimentar cor e inovação





Tenho reservas quanto ao conforto, que eu sou rapariga de saltos rasos ou pouco salto. Mas não consigo deixar de apreciar o arrojo e o destaque internacional da marca portuguesa Xperimental Shoes, que já chegou à Solestruck, nos Estados Unidos. E também não consigo deixar de apreciar as cores, a inovação, as conjugações inovadoras. Só não sei se me conseguiria equilibrar nestes saltos, mas isso é um detalhe. 

A marca surgiu a partir da paixão de duas jovens designers por moda e comunicação e da fusão do conhecimento e experiência entre ambas. A Xperimental Shoes fundamenta-se no desafio criativo da indústria do calçado em Portugal. Apoiando-se na pesquisa e análise de tendências, pretende pertencer à vanguarda, desafiando as convenções criativas e renovando os métodos de produção.

A construção do sapato está na base do repto da Xperimental, porque é a partir dela que a marca explora diferentes e inovadores acabamentos de peles, aplicando-as em solas e formas vanguardistas. Experimentar é, no fundo, o que se procura. Com resultados, claro.

Carla Pontes: Simplicidade e minimalismo

A busca pela libertação formal e a simplicidade contemporânea caracterizam a marca portuguesa de moda feminina Carla Pontes. A designer aborda a linguagem minimalista e o cuidado com os tecidos num estilo simples e urbano que é a minha cara. Conquistaram-me ao primeiro olhar, estas peças que pretendem ser a continuação do corpo humano.

Cada artigo é visto como um objeto para o estudo do design e para a busca de formas perfeitas a três dimensões. Todos eles são polidos: os detalhes são destacados e o desnecessário é abortado. O resultado é simplicidade e minimalismo, em visuais que podem ser interpretados como formais ou casuais, dependendo das combinações que quiser fazer quem veste as peças da marca. A Ivo Maia Designers é um dos pontos de venda da designer.

TitisClothing: Cores para o Inverno




A nova coleção da TitisClothing já está disponível para venda online e a surpresa são as cores. Por aqui temos roupa colorida para aquecer o tempo frio. Há amarelos mostarda, azuis petróleos, padrões, rendas e uma nova linha de joalharia na lista desta marca espanhola, que apresenta também umas carteiras com um toque clássico/vintage bastante apetecíveis. Mas é a cor, senhores, é a cor que me agrada. Haja cor no inverno, que eu agora já não visto apenas azuis, cinzas e pretos.

Os Papeludos e o sorriso do sr. António



















Foi a partir dos 65 anos que se pôs mais novo, mais sorridente, um verdadeiro artista. Nos olhos o brilho de um jovem, não de um reformado que renasceu artesão. São olhos que sorriem, como se transpirasse orgulho e em cada raio de sol, nevoeiro, brisa ou 'karaoke' minhoto encontrasse inspiração. Depois de uma visita a uma feira de artesanato onde a neta mais velha aprendeu a fazer um boneco de pasta de papel, ele também aprendeu a fazê-los. E nunca mais parou. Os cabeçudos, figuras típicas de Viana do Castelo e do Minho que lhe está no sangue foram o tiro de partida para António Costa iniciar as suas criações. Chamou-lhes Papeludos, porque são cabeçudos feitos em papel. 

Criou uma marca, uma identidade, incluiu na lista de bonecos jogadores de futebol, palhaços, Nossas Senhoras, Zés Povinhos, até Rucas e Noddys. Vai às feiras, tens não sei quantos cabeçudos espalhados pelas monstras de Viana durante as festas de Nossa Senhora da Agonia, anda por aí a espalhar o Minho e o sorriso.

Parece o projeto eco-sustentável de um jovem super em cima das tendências de hoje e de amanhã, que arregassou as mangas e se fez à vida. E no fundo é, mas este jovem tem sessenta e muitos e não parece nada, é dono de uma leveza e engenho invejáveis e um enorme exemplo do que pode ser reinventar-se, seja com que idade for porque ele é a prova de que isso não interessa nada.

Weekend Barber: é português e parece muito bom




























Já me tinha cruzado algures com os sapatos da primeira fotografia, mas registei na minha cabeça tratar-se de uma qualquer marca estrangeira, apenas acessível através de compras online em relação às quais continuo bastante hesitante. Os sapatos podem parecer uma aposta mais segura do que a roupa em matéria de compras à distância e até acredito que sejam para muita gente, mas não para mim, a senhora número 37 e meio, para alguns formatos dá o 37, para outros pode ser o 38, mas é preciso confirmar porque o armário lá de casa está cheio de calçado que não calço porque me aperta ou me sai dos pés.

Até que, ontem, descobri que não. Os sapatos são de uma marca portuguesa, a Weekend Barber, e para além de estarem à venda online também estão em lojas situadas em vários pontos do país. Claro que me perdi ainda mais de amores. Antes eram algo inacessível, agora não são. E isso é perigoso. Tanto que me proibi a mim mesma de ir espreitá-los à loja da esquina. Voltei a enamorar-me pelos primeiros e pelas sandálias de plataforma, eu que nunca passo dos saltos rasos. 

A marca apresenta-se como um atelier de experimentação que viveu em forma de sonho até 2012 "fechada em memórias e escondida atrás de grafismos". Com sede no Porto, afirma-se como "da cidade e com vista para o exterior". 

Estilo soviético reinventado: a nostalgia é para ser usada









Dois amigos juntam-se para ouvir o conto de dois sapateiros: uma história de amor, lealdade e laços. É por isso que os Komrads Invasion não são apenas um par de sapatilhas. São o resultado do desejo de dois fãs belgas em preservar uma peça icônica checa, através de um projeto que os levou a criar uma nova era de estilo soviético, onde a máxima é "Poder para o povo". 

O que os dois amigos pensaram, depois da produção ter sido descontinuada, foi que a única forma de uma verdadeira lenda sobreviver é encontrar uma nova causa. Por isso os ténis (ainda produzidos na fábrica original, em Partizan) foram convocados para uma nova era do que é "cool", na qual a nostalgia não é uma coisa do passado - é algo para ser usado. 

As sapatilhas Komrad surgiram como a resposta da União Soviética à revolução dos sapatos ocidentais, dominada pelos chamados "tênis de básquete", da Converse. Quando a empresa de calçados CEBO (Chech Boot) projetou sua marca-modelo 5210 não fazia ideia de que estava a fazer história: o artigo tornou-se num marco em calçado icônico, revelando rapidamente sucesso nos países onde foram introduzidos. O modelo transformou-se numa peça underground e o seu charme urbano criou uma série de adeptos deste simbolo do artesanato soviético. Se não fosse por dois desses fãs, belgas, a história teria acabado em 2009, quando a produção foi descontinuada.






Gary Graham: Roupas versáteis para mulheres criativas












O luxo casual cruza-se com um sentido de história nas coleções de Gary Graham, o designer que vive e trabalha em Nova Iorque e que é atraído para opostos ou contrastes, descobrindo a beleza particular em dicotomias como luz-escuridão ou rústico-requintado. 

A abordagem reflete-se em vestidos fluidos, blusas e malhas, ricas em cores e texturas. A incorporação de colchas, bordados, pátina, patchwork com malhas grossas e couros serve para criar um visual  individualizado. O resultado é uma abordagem casual e confortável, feita para mulheres independentes e criativas, que exigem versatilidade e longevidade nos seus guarda-roupas.

Os materiais de luxo usados pelo criador são trabalhados com técnicas artesanais para que o resultado final deslize sobre o corpo tão confortavelmente como uma t-shirt. Cada peça é projetada para ser usada individualmente, combinada ou em camadas usadas alternadamente, para criar múltiplas opções de guarda-roupa e de combinações de cores.



WHAT' S IN YOUR CLOSET # 12 Juliana Cerdeira (miaufroufrou.blogspot.pt)



Não há hesitações em frente ao armário, porque a seleção começa na hora de comprar. Juliana Cerdeira não é só a designer e proprietária da loja Miau Frou Frou, que se prepara para mudar de instalações, expandir a marca a vários pontos de venda e internacionalizá-la*. Ela é, também, a única mulher que conheço que não perde tempo a escolher o que vai vestir. Nada de indecisões a olhar para o guarda-roupa, nada de planeamentos, só pensa no que veste depois do banho. Nunca trocou uma peça de roupa. Parece simples: analisar muito bem tudo e mais alguma coisa no momento de comprar. Depois, diz ela, o resultado sai "naturalmente bem". É uma questão de técnica: "Ter peças certas no armário é meio caminho andado para não vestir errado". O estilo da Juliana é, evidentemente, Miau Frou Frou, mas há espaço para misturas com outras marcas. O importante, diz a designer, é ter a liberdade para sermos o que quisermos, e sermos cada vez mais a exteriorização de nós próprios. 

* A loja da rua Miguel Bombarda fecha portas e a Miau Frou Frou transfere-se este mês para um novo espaço, na zona da Foz. Acontece que, na nova localização, a Miau Frou Frou não vai funcionar como loja, mas como atelier para atendimento de encomendas privadas. Este serviço de criação personalizada correspondia já a 50 por cento do trabalho da marca em Miguel Bombarda. Mas há mais novidades: a intenção é continuar com a marca e com as suas coleções de pronto-a-vestir, colocando-as à venda noutras lojas, nacionais e internacionais.







1. Qual é o primeiro momento do dia em que pensas na roupa que vais vestir?
Normalmente acordo sempre com a sensação que já estou atrasada, mesmo não tendo horários a cumprir. Então vou direta para o duche e na altura de me vestir penso nisso.

2. Preocupas-te com isso ou vestes a primeira coisa que te aparecer à frente?
Já passo demasiado tempo a pensar em roupa profissionalmente para ter muita paciência para pensar nisso pessoalmente. Mas em geral não descuido muito. A minha preocupação com o que visto está  no momento em que vou comprar roupa - dessa forma, no dia-a-dia tudo sai naturalmente "bem". Ter peças certas no armário é meio caminho andado para não vestir "errado".

3. Qual a tua principal preocupação estética antes de sair de casa? Não sair maquilhada ou ter a certeza de que não te esqueceste de nenhuma peça de roupa fundamental?
Saio quase sempre maquilhada, tirando ao domingo que é o dia de folga da minha pele. Gosto de estar sempre bem, mas acima de tudo confortável. E a minha grande preocupação passa mais por evitar passar frio ou calor - tenho um termostato avariado.

4. Preocupas-te em aplicar cremes, maquilhar-te, pintar as unhas, arranjar o cabelo, etc?
Sim acho que me preocupo, mas dentro dos parâmetros (digo eu) normais. Uso produtos de farmácia ou da minha esteticista, a partir daí só trato de limpar e hidratar a pele. As unhas em geral andam pintadas e por mim, mas também lhes dou dois dias de descanso semanal. O cabelo neste momento tem liberdade para ser ele próprio, é lavar e andar.

5. Qual é o teu estilo?
É um estilo MIAU FROU FROU.

6. Como é o teu armário? Cheio, arrumado, desarrumado, caótico?
A rebentar pelas costuras mas arrumado, dentro do possível, pois está tudo apertadinho e com duas peças no mesmo cabide, o que não me agrada muito.

7. Quais as peças/artigos que tens em maior número? Sapatos, vestidos, camisolas?
Vestidos e sapatos (que rondam os 200, ups)



8. Como é que escolhes/compras a tua roupa?
Vejo tudo e só no fim compro, sem hesitar, porque já analisei tudo. Nunca troquei uma peça. Nos últimos anos, devido à minha marca, faço as peças que acabo por vestir. Mas também as misturo com outras marcas.

9. Encomendas roupa online?
Raras vezes comprei online, gosto de tocar nos tecidos, ver os acabamentos e sentir a peça. A não ser que já confie e conheça bem a marca.

10.Qual a tua loja preferida?
A MIAU FROU FROU

11. Qual a tua peça de roupa preferida? - neste momento e de toda a tua vida (algum artigo que tenhas amado perdidamente e que morreu de velho)
Não tenho uma de eleição.

12. Qual a pessoa (conhecida ou não) cujo visual "invejas"? Gostavas de ser como quem?
Nós temos liberdade para sermos como quisermos, logo o mais interessante é sermos cada vez mais a exteriorização de nós próprios. Aqui não cabe a inveja pelo visual de ninguém em particular mas a admiração pela autenticidade. Gosto de analisar moda de rua.

13. Já houve alguma altura da tua vida em que querias vestir-te como alguém? Quem?
Já passei por imensas fases desde miúda, não por enaltecer alguém (ainda bem, porque eu gostava do Axel Rose e do Peter Murphy) mas pelos estilos de vida que fui adotando.

14. Alguma vez saíste de casa sem sapatos, com uma meia de cada cor, com a camisola do avesso ou outro episódio semelhante? Qual?
Não, no máximo já saí de casa de pijama por baixo de um casaco e umas botas para ir levar o lixo.

15. Neste preciso momento tens 1000 euros na mão para gastar só em ti. O que fazes com esse dinheiro?
Comprava uma viagem à Índia, é um grande investimento na nossa beleza e riqueza interior.

SESSÙN: A moda que nos diz muitas outras coisas






Uma personalidade que guia um estilo, que inventa um universo e que te convida para entrares nele, para lá das tendências anunciadas e das figuras obrigatórias. A Sessùn antecipa-se, leva-nos pela mão e lembra-nos que amamos a moda quando ela nos diz, também, muitas outras coisas. 

A capacidade de atenção polimórfica e seletiva dos seus criadores, bem como o talento para a conjugação de influências, gostos e disciplinas é uma das chaves da identidade da Sessùn - uma marca enraizada no seu tempo, mas subtil o suficiente para lutar pela intemporalidade.

O desejo de diversão permanece intacto e transparece nas edições limitadas propostas, raridades para congelar numa lógica algo que se tornaria completamente diferente se fosse maior a quantidade de difusão.

Mais umas peças Fantásticas made in Spain







Apaixonei-me pelo vestido cor-de-rosa que estava na secção de stockoff da Mau Feitio e fui investigar. A marca chama-se Compañía Fantástica, é espanhola, foi criada em março de 2002. A informação não é muita: a etiqueta nasce com um intuito de apostar num desenho exclusivo made in Spain para dar um toque diferente ao guarda-roupa feminino. A mim não me interessa saber muito mais, porque as fotos falam por si. Só tenho pena de ter passado tanto tempo sem conhecer estas fofuras.