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8 anos


Fazes 8 anos, quase não dá para acreditar, e ao mesmo tempo parece que já fazes 9, porque sempre tiveste coisas que fizeram de ti mais crescido do que realmente és. Não escrevo no blog há século (eu sei que estou a exagerar), mas achei que não podia passar este dia sem aqui registar esta música, dos Pogues, que adoras, para te dizer que te amo mais do que posso. E sim, é mesmo verdade, o dia em que nasceste foi o mais feliz da minha vida. Quando te tive no meu colo fiquei com um sorriso derretido durante não sei quanto tempo. Ia dizer que teria sido até tentar dormir e tu me acordares (como fizeste tantas vezes, mas estás perdoado), mas não foi, porque na nossa primeira noite tu dormiste bem, eu é que não consegui fechar os olhos e deixar de olhar para ti. 

Música para mães 'cool' (ou só para mim)

Estou a ouvir a playlist Dia da Mãe - Música para mães 'cool' - Uma selecção da blogger Divine Shape (divine shape.blogspot.com) no MEO Music http://meomusic.pt/playlist/JFP4MuVk68_wJj6faeU4KA

O desafio da Meo e do Trend Alert era que eu, enquanto blogger, fizesse uma playlist para o dia da Mãe. O resultado foi esta lista, essencialmente um relato musical da minha experiência como mãe, do meu crescimento enquanto pessoa desde que tive um filho, do amor que sinto por ele, da ligação que temos, da relação com a minha mãe e do que entretanto aprendi sobre ela ou sobre outras mulheres-mães que tive ao longo da vida (somos muitas, na família). 

Ser mãe serviu-me para me tirar todas as certezas. A partir de então, só estou convicta de que terei sempre muitas dúvidas e tentarei fazer o melhor que posso. Em relação ao meu filho e a tudo resto. Deixei-me de verdades absolutas e acho que isso não tem mal nenhum. Todas as que tinha caíram por terra, o meu mundo virou-se ao contrário, fiz tudo o que prometi não fazer ou dizer. Nunca mais disse nunca, pouco depois de ele ter nascido e eu me ter visto com ele no shopping, consciente de ter perdido a conta às vezes em que estupidamente critiquei pais de bebés pequenos que fizeram o mesmo. Era inverno e nenhum espaço público abrigado oferecia a mesma logística para tratar de um recém-nascido. É tão simples quanto isso. 

Depois, há coisas incontornáveis, como ouvir-me e jurar que estou a ouvir a minha mãe com as expressões que, enquanto filha, odiava ouvir e jurava a pés juntos nunca reproduzir. Não há como evitar. Ser mãe confunde-se com a filha que fomos e com a mãe que tivemos. 

Ser mãe não tem comparação com nada, porque é um amor maior do que alguma vez julgamos poder sentir. É tudo o que imaginamos, ou nada do que tínhamos sonhado, mas é sempre mais e melhor. Daí a escolha da música Finale, de Maurice Jarre, do filme Clube dos Poetas Mortos. É um crescendo de sentimento de conquista, vitória, felicidade e orgulho, cada etapa da vida de um filho, cada primeiro sorriso, primeiro passo, primeiro beijo, primeira palavra, o primeiro dente que cai ou primeiras notas na escola.

A espera por ele também não escapou à música: é daí que vem a escolha de "Fico Assim Sem Você", da Adriana Partimpim. A letra só fez verdadeiro sentido para mim quando estava grávida, ansiosa por ter a criança nos braços, a sentir-me como queijo sem marmelada, incompleta, por acabar. Amor I Love You, a música da Marisa Monte que inclui uma citação do livro "Primo Basilio", do Eça De Queiroz, também me acompanhou nos nove meses de gestação.

Quando ao resto, algumas são músicas que ouvi ao vivo enquanto estava à espera da criança: Deanna, de Nick Cave, no Coliseu do Porto, ou Heart Of Glass, dos Nouvelle Vague, no Sá da Bandeira. There is a Light tha Never Goes Out (Morrisey), é o que eu espero ser para o meu filho. Blitzkrieg Bop foi uma das primeiras músicas que ele pediu para ouvir e os Ramones foram a primeira banda que ele soube identificar. Isto, claro, depois da febre dos "Não sei quantos macaquinhos que saltavam no colchão" (título completamente adaptado de uma canção que passava no canal Panda e que ele, ainda no colo, pedia para repetir atirando-se para cima do leitor de CD).

Os The Pogues são a mais recente paixão musical da criança e The Sunnyside of The Street, uma das músicas que tenho de ouvir quase tantas vezes quantas vi o arco-íris do Mickey ou a bola que foi parar à estrada do Noddy, é uma das minhas preferidas - ele, o meu filho, é o meu lado solarengo da estrada e da vida.   

São, no fundo, sons que ouço repetidas vezes, ou que ele também gosta/gostou de ouvir. Com ele ainda no colo, cantei-as e dancei-as como se fossem um tango, de um lado para o outro, com um ar sério que o fazia rir. Também já as dançamos: a  fazer de conta que estávamos numa festa, porque estavamos numa festa (coisas da última passagem de ano), aos saltos, a agitar o corpo, a fazer ginástica (imposição dele) ou deitados no chão da sala a relaxar. 

A isto tudo soma-se "Para os Braços da Minha Mãe". Não sendo particularmente fã do Pedro Abrunhosa, não consegui lembrar-me de uma música que melhor ilustre o que penso quando me falta colo, quando penso na minha mãe, no que nos separa e no que ela está sempre disponível para me dar. 

Do que me fui lembrar: Wilson Phillips - Hold On


Não foi uma lembrança verdadeiramente espontânea. Estava a ver um filme daqueles muito, muito parvos que não servem para nada a não ser para nos distrair e deixar de pensar e as duas amigas da história adoravam esta música. Lembrei-me que eu também. Já não sei ao certo em que fase parva. Talvez na fase em que tinha uma qualquer paixão platónica e achava que ninguém gostava de mim e dificilmente a situação ia mudar. Daí o hold on. Tinha de esperar. Mas a música era uma espécie de tónico de força para a espera. Serviu durante os tempos. Não terão sido muitos porque, se não fosse o filme, já nem conseguia chegar às Wilson Phillips, quanto mais ao Hold On. Mas recordar é bom. Mais alguém se lembra disto?

Those dancing days


Foi a Sílvia Silva que se lembrou e eu não podia deixar passar em claro porque, como ela, continuo a vibrar com estas músicas, a achar que podia ter sido bailarina, que dançar me faria feliz.

Não, nos anos 80 não haviam estrelas Disney, nem DVD e canais de televisão para criança e eu, como ela, vibrava com estes filmes de dança: o Footloose, o Flashdance e, sobretudo, o Fame. Há uns anos fui ao Coliseu ver um musical do Fame que nem sei se era bom ou mau, mas saí de lá para o metro a levantar as duas pernas como se fosse bailarina profissional e a abanar-me como uma doida. Não é só revivalismo. É outra coisa um bocadinho diferente, talvez o voltar a vibrar com o sonho da dança.

Ainda hoje ensaio uns passos de ballet, copiados de tudo o que passou na televisão e que incluia bailarinas. Não sei se havia escolas de ballet na cidade onde eu vivia quando era criança. Os meus pais nunca se lembraram de tal. Eu também nunca pedi. Mas dançava. Muito. Porque tinha vontade, porque me alegrava a alma, porque me fazia feliz. Também tinha umas perneiras, cor-de-rosa, que a minha tia me fez. 

Para além destes três filmes de dança que a Sílvia cita, foi também importante para mim um outro, já mais próximo dos anos 90 e um bocadinho diferente, muito romântico, daquele dos amores impossíveis que tudo superam, outra coisa também bastante típica na altura, pelo menos do que me passou pelas vistas na época. No caso, que é o do filme Dirty Dancing, o amor, ou a dança, não sei bem, serviram até para superar a inabilidade da introvertida Baby, o que só fez com que me identificasse totalmente com ela, que era tímida, sem uma beleza óbvia e conseguiu conquistar aquele figurão que era o Patrick Swayze. Era tudo o que eu sonhava, naquele tempo em que me sentia um patinho feio, um amor daqueles, a fazer acreditar que tudo é possível, Thoseque o amor basta, que não se mexe, que existe a pessoa perfeita para cada um de nós. O filme, e outros do género, fizeram-me acreditar em tudo, ainda que nada acontecesse. Durante mesmo muito tempo. 

Crescemos assim, e depois, puf. Não é necessariamente mau, talvez possa ser melhor, mas é muito diferente. A música que ainda hoje me faz tremer, ao ouvi-la e ao ver a dança, é o Time of my Life. Vi o filme várias vezes de cada vez que o aluguei (sim, naquela altura havia clubes de vídeo onde alugávamos filmes)  para aprender todos os passos. 

Na altura serviu-me de pouco, talvez apenas para os meus pais pensarem que estava tolinha, embora a mania das danças já viesse de muito cedo. Há uns dez anos, mais coisa menos coisa, consegui personalizar o salto do Time of my Life (ao som de outra música qualquer) com o meu mais que tudo (em vez de lhe saltar para os braços esticados ao alto, como os do Patrick, fazia a corrida e saltava-lhe para o colo, foi uma emoção).  Há umas semanas, enquanto viajávamos de carro, numa rádio local passou o Hungry Eyes, do mesmo filme. Pedi silêncio, comecei a cantar, emocionada, até. Repetia cada detalhe como quem há muito tempo não respirava. "Nem vou perguntar como é que conheces isto", disse ele. Toda a gente que viu o Dirty Dancing conhece isto, respondi.

WHAT' S IN YOUR CLOSET # 50 Celina da Piedade (www.celinadapiedade.com)




Gosta de cores vivas e de as misturar. O mesmo se passa com os padrões, sobretudo se forem bolinhas. Celina da Piedade aprecia peças feitas artesanalmente, recicladas ou antigas, e de as misturar com peças atuais. A acordeonista, compositora e cantora não dispensa elementos tradicionais, como os lenços regionais.

Os acessórios estão em maioria no armário caótico e alguns deles são feitos pela própria, ou por amigos. Celina da Piedade é também fã da ironia para ser usada, seja um crachá com uma boa frase, um chapéu insólito, ou um colar feito de brinquedos reciclados. O acessório de que mais gosta são, aliás, duas peças vermelhas de lego transformadas em brincos.

O conselho de estilo que Celina daria a si própria é não se preocupar demasiado com o assunto, e seguir o instinto e a imaginação. A explicação é simples: "A partir do momento em que o estilo se torna uma coisa fabricada, pode perder a graça toda".

A cantora, que recentemente lançou o disco "O cante das ervas", decide o que vai vestir no momento em que tem de o fazer e escolhe por impulso - olha para o armário e opta pelo que lhe salta à vista. A capacidade de decisão e de descomplicar não impedem que por vezes surjam indecisões e resmungos com o guarda-roupa. Quando tem uma viagem marcada, o que é frequente, limita-se a fazer uma lista mental de quantos dias vai estar fora e de quantas combinações de peças de roupa e de acessórios vai precisar.

1. Qual é o primeiro momento do dia em que pensas na roupa que vais vestir?
Isso depende muito dos dias! Normalmente decido no momento em que me vou vestir. Só costumo planear antecipadamente se for em viagem, o que é frequente. Tento não meter roupa ao calhas para dentro da mala. Antes faço uma lista mental dos dias em que vou estar fora e de quantas combinações de peças de roupa e de acessórios vou precisar fazer. São muitos anos a fazer malas...

2. Preocupas-te com isso ou vestes a primeira coisa que te aparecer à frente?
Escolho por impulso, olho para o armário e vejo o que me salta à vista. Tenho a mania que não sou complicada, mas na verdade às vezes demoro um bocado a escolher, e resmungo com o guarda-roupa. Em geral escolho de acordo com o dia que vou ter, com o tipo de compromissos que tenho na agenda. Se for dia de concerto a dificuldade da escolha aumenta, mas é também um prazer, por ser uma parte importante do ritual de preparação para o mesmo. 

3. Qual a tua principal preocupação estética antes de sair de casa? Não sair maquilhada ou ter a certeza de que não te esqueceste de nenhuma peça de roupa fundamental?
Bem... pode ser não me esquecer de nenhuma peça de roupa, sou um bocado despistada! Em geral não gosto de sair sem brincos, coisas de menina... Se for para uma entrevista, sessão fotográfica ou concerto tenho a atenção de ir maquilhada e vestida em conformidade. 

4. Qual é o teu estilo?
Não sei bem dizer se tenho um... ando algures entre a tradição e a reciclagem do plástico! Gosto muito de acessórios originais: brincos, colares, pregadeiras, lenços, cachecóis. Adoro sapatos! Gosto de cores vivas e de as misturar, e de padrões também, sobretudo bolinhas, adoro bolinhas! De preferência gosto de peças feitas artesanalmente, recicladas ou antigas, e de as misturar com peças atuais. Adoro utilizar elementos tradicionais, como os lenços regionais, ou os brincos portugueses que herdei da minha avó. Algumas coisas faço eu mesma (cachecóis, colares, pregadeiras), ou são feitas por amigos. Gosto de ver ironia vestida: um crachá com uma boa frase, um chapéu insólito, um colar feito de brinquedos reciclados. Tenho um aplique para o cabelo que é um ovo estrelado em borracha, em cima de um naperon de renda, que comprei numa feira na Galiza.

5. Como é o teu armário? Cheio, arrumado, desarrumado, caótico?
O meu armário é um caos. Mas eu sei onde está tudo! É daqueles que se entrares lá dentro não há certeza de saíres de lá para a mesma dimensão. 

6. Quais as peças/artigos que tens em maior número? Sapatos, vestidos, camisolas?
Ganham sem dúvida os sapatos e outros acessórios. 

7. Como é que escolhes/compras a tua roupa?
Como visto XXL, não encontro roupa para mim em qualquer chafarica, mas procurando nos sitios certos acabo por não ter assim tanta dificuldade. Os meus sitios preferidos são sem dúvida lojas de roupa em segunda mão, feiras da ladra e de velharias, bancas ou lojas de artesanato, os baus das minhas tias. Tento evitar ao máximo comprar em multinacionais, mas mesmo assim compro alguma roupa na H&M, por terem uma boa secção de tamanhos grandes e que me garante os básicos. Mando também fazer algumas coisas na costureira.

8. Encomendas roupa online?
Já houve uma época em que encomendava, mas raramente a roupa me ficava bem, e acabei por desistir desse método. 

9. Qual a tua loja preferida?
Para roupa é a Humana e para acessórios a feira de artesanato do Festival Entrudanças. Para os crachás é o Charroque da Prrofundurra!

10. Qual a tua peça de roupa preferida? - neste momento e de toda a tua vida (algum artigo que tenhas amado perdidamente e que morreu de velho)
A peça de roupa que mais estimo do meu guarda roupas é um vestido preto de concerto que mandei fazer a uma costureira de Pardilhó (distrito de Aveiro), a Dona Júlia, com os preceitos dos trajes tradicionais daquela zona. Foi um longo "namoro": a escolha do tecido, definir o desenho, voltar lá umas semanas depois para fazer a primeira prova, mais outras quantas para o ir buscar pronto. Adoro-o, e só compete com outro que mandei também fazer à Dona Deonisia (em Setúbal, que me faz vestidos desde que nasci), com uma seda de fios azuis e fuchsia, que trouxe de Goa. Ficou ótimo, e usei-o tanto que acabou um trapo. Tenho também um acessórios preferido de sempre: duas peças vermelhas de lego transformadas em brincos pela minha amiga Margarida Ribeiro, de quando ainda nem se falava em artesanato contemporâneo. 

11. Há alguma pessoa (conhecida ou não) cujo visual "invejas"? Gostavas de ser como quem?
Não tenho ninguém como referência, não costumo pensar muito nisso. Mas admiro muito a pinta do meu amigo Samuel Úria, está sempre brilhante!

12. Já houve alguma altura da tua vida em que querias vestir-te como alguém? Quem?
Quando era adolescente queria ser como a Frida Kahlo, e vestia-me como ela. Dez anos depois tive uma fase que incorporei o estilo ceifeira alentejana com afinco. Agora fico-me por umas flores no cabelo, um lenço, umas pulseiras coloridas, e vá lá, a loucura: umas meias de linha feitas à mão. 

13. Alguma vez saíste de casa sem sapatos, com uma meia de cada cor, com a camisola do avesso ou outro episódio semelhante? Qual?
Várias vezes. Meias de cada cor é frequente, e roupa do avesso também. Às vezes é por causa das pressas. Outras é porque moro no campo e só saio para dar uma volta na quinta, ou fazer uma caminhada. Se saio para ir ao Pilates ou à piscina também é normal ir com roupa de "casa", mais confortável, e por isso mais distraída também. 


14. O que trazes vestido neste momento?
Um vestido às flores que comprei numa loja de roupa em segunda mão em Aveiro e umas botas caneleiras. Uns brincos de mola dos anos 80 que me deram num centro de dia onde fui tocar. Uma gola feita por mim em lã portuguesa, que comprei na Retrosaria da Rosa Pomar.

15. Se hoje tivesse sido um dia perfeito, com tempo para tudo o que precisas, o que terias vestido?
Provavelmente roupa própria para uma boa caminhada na serra, ou para uma viagem de descobertas na nossa autocaravana... E uma que desse também para uma tarde passada a tocar, a ler e a fazer tricot, sempre bem acompanhada!

16. O que achas que devias eliminar do teu guarda-roupa de uma vez por todas?
Os indícios de traça! De resto não me queixo de nada.

17. O que devias vestir mais vezes, mas não vestes?
O fato de banho para ir à praia. Moro à beira-mar e vou lá tão pouco... E no inverno camisolas de lã. Aquecem tanto, mas parecem nunca se encaixar nos meus figurinos. E os chapéus. Tenho sempre medo de os usar. 

18. Se tivesses de dar um conselho de estilo a ti própria, qual seria?
Não me preocupar demasiado com esse assunto, e seguir o instinto e a imaginação. A partir do momento em que se torna uma coisa fabricada, pode perder a graça toda.

WHAT' S IN YOUR CLOSET # 49 Sílvio Rosado (facebook.com/silvio.rosado.5)



Nunca ouvi algo do género vindo da boca de um homem. Muito menos em relação a roupa. Mas quando perguntei ao Sílvio Rosado se gosta de ir às compras ou se é um suplício, ele respondeu que "tortura é não ir ou não poder ir por falta de dinheiro". O músico garantiu-me que não era ironia. De resto, no ato de comprar estamos perante um 'snipper': primeiro faz uma pesquisa minuciosa, estuda "a vítima antes de a atacar" e quando percebe que a quer, compra. 

O armário é coisa menos organizada, antes uma "selva" repleta de roupas, chapéus, cintos, casacos e muitas coisas mais. Quanto ao estilo, Sílvio Rosado define-o como 'ousider".  Diz ver a moda "quase como uma forma de teatro diário" onde podemos ser a personagem que queremos e todos os dias gosta de se sentir alguém diferente. Mas não ao ponto de usar roupa clássica ou "mais coisas sem se prender a apenas um estilo". 


1. Qual é o primeiro momento do dia em que pensas na roupa que vais vestir?
No dia anterior, antes de me deitar, ou então improviso na hora...

2. Preocupas-te com isso ou vestes a primeira coisa que te aparecer à frente?
Como vejo a moda quase como uma forma de teatro diário onde podes ser a personagem que queres, tento sempre ser inventivo. Conjugando isso, obviamente com as atividades que tenho para esse dia e o tempo que irei encontrar lá fora.

3. Quanto tempo demoras a arranjar-te para sair de casa?
Normalmente demoro 20 a 30 minutos.

4. Qual é o teu estilo?
Sinceramente não sei, talvez um outsider. Todos os dias gosto de me sentir alguém diferente.

5. Como é o teu armário? Cheio, arrumado, desarrumado, caótico?
Completamente uma selva. Repleto de roupas, chapéus, cinto, sapatos, casacos, plumas… uma autêntica selva… Não é um espaço só meu, partilho com a minha companheira…

6. Quais as peças/artigos que tens em maior número no armário?
Camisolas, casacos, sapatos e chapéus 

7. Gostas de ir às compras ou é tortura?
É tortura não poder ir às compras ou não poder ir por falta de dinheiro.

8. Como é que escolhes/compras a tua roupa?
Geralmente faço uma pesquisa à priori, muito minuciosa, e quase que me comporto como um 'snipper' de roupa. Estudo a vitima antes de a atacar e, quando quero, ataco ou, neste caso, compro.

9. Encomendas roupa online?
Algumas peças. Não por que goste, mais porque não consigo encontrar roupa para homem em Lisboa que se encaixe com o meu perfil. Mas cada vez mais as coisas estão melhores em Portugal. A roupa é para todos...

10. Qual a tua loja preferida?
Não tenho uma loja favorita. Simplesmente compro onde me apetece comprar. Evito made in china, e obviamente gosto de roupa feita com boas matérias primas e de preferencia Nacionais. No entanto não compro simplesmente porque é português, tem que obrigatoriamente ser bom e cativar o meu gosto e a minha carteira…

11. Qual a tua peça de roupa preferida? - neste momento e de toda a tua vida (algum artigo que tenhas amado perdidamente e que morreu de velho)
Uma camisola que me ofereceram no meu aniversário da Comme des Garçons. Que sempre que a visto me faz sentir bem. Mas infelizmente está cheia de buracos…

12. Há alguém cujo visual "invejes"?
Várias pessoas. Principalmente pessoas que vejo na rua. Mas não chamaria a isso inveja, digamos que é mais… quero ser assim ou quero ter aquela roupa ou gostaria de ter aquele estilo...

13. Já houve alguma altura da tua vida em que querias vestir-te como alguém? Quem?
No sétimo ano, com 12 anos, estava no liceu de S. Pedro do Estoril e lembro-me perfeitamente que apareceu um rapaz de Lisboa e adorei logo a maneira como se vestia. Usava calças elásticas, botas Dr. Martens e tinha óculos escuros. Um look simples, mas para a época em Portugal era diferente. Tinha cabelo comprido e toda a sua atitude denotava liberdade.

14. Alguma vez saíste de casa sem sapatos, com uma meia de cada cor, com a camisola do avesso ou outro episódio semelhante? Qual?
Já me aconteceu andar com uma camisola que toda a gente achava que estava ao contrario e me diziam que era muito cool. Mas não sabiam que na realidade era mesmo assim. Mesmo assim usar aquela camisola foi um ato de coragem para mim.

15. O que trazes vestido neste momento?
Botas Green Boots (marca portuguesa), calças de ganga Benneton, camisola de flanela Carhart e uma camisola térmica muito antiga que adoro… e as meias são térmicas e são da Timberland super quentinhas.

16. Se hoje tivesse sido um dia perfeito, com tempo para tudo o que precisas, o que terias vestido?
Roupa nova…

17. O que achas que devias eliminar do teu guarda-roupa de uma vez por todas?
Compras falhadas de que gosto muito mas não consigo deitar fora, acho que um dia vão ser magnificas...

18. O que devias vestir mais vezes, mas não vestes?
Roupa clássica… 

19. Se tivesses de dar um conselho de estilo a ti próprio, qual seria? 
Usa mais coisas e não te prendas a um estilo…

WHAT' S IN YOUR CLOSET # 47 Tiago Pereira (amusicaportuguesaagostardelapropria.org)



Muitas vezes o armário dele não é bem um armário, são mochilas. Diretor executivo do projeto "A música portuguesa a gostar dela própria", Tiago Pereira anda sempre "de um lado para o outra a filmar", entre o campo e a cidade, entre hotéis e casas de amigos, e também por isso uma parte da roupa perde-se pelo caminho. 

O criador de um palco onde cabem todos os músicos portugueses, sem excluir géneros e formações musicais, não perde quase tempo nenhum para se arranjar antes de sair de casa: tem o gosto bem definido, diz que nunca se penteou na vida, tudo se resume a banho e vestir, torna-se "muito rápido". Não que lhe falte estilo: cores vivas, quadrados e riscas, "desde sempre". 

Tiago Pereira define o que veste como "muito rural e muito urbano ao mesmo tempo", variado "como a música" mas também "caótico". Ir às compras não lhe custa, este homem é muito prático: sabe o que quer, não há hesitações. Diz que é "como ir à caça: chegas lá vês a presa e atiras". 

1. Qual é o primeiro momento do dia em que pensas na roupa que vais vestir?
No preciso momento em que tenho de o fazer. Raramente penso antes, a não ser que tenha de ir a um evento especial e aí entro em stress porque de facto não tenho roupa adequada para tal.

2. Preocupas-te com isso ou vestes a primeira coisa que te aparecer à frente?
Preocupo-me com o que visto sim, mas não de forma regular nem coerente. É muito aleatório e às vezes, vejo pelas fotos, vou para o campo, para o meio da lama e bosta de vaca com a mesma roupa com que vou a concertos ou a lançamentos.

3. Quanto tempo demoras a arranjar-te para sair de casa?
Muito pouco, nunca me penteei na vida, por isso banho e roupa é muito rápido

4. Qual é o teu estilo?
É o meu, cores vivas, quadrados e riscas desde sempre, é muito variado um pouco como a música, pode ser muito rural e muito urbano ao mesmo tempo. E caótico. Lembro-me de uma entrevista no Expresso em 2001 em que o jornalista referia que eu tinha meias descasaladas. Não era de propósito era mesmo assim!

5. Como é o teu armário? Cheio, arrumado, desarrumado, caótico?
Muitas vezes o meu armário são mochilas. Ando muito de um lado para o outro a filmar, campo, hotéís, casas de amigos, etc. Mas é, por norma, meio desarrumado algum tempo e depois arrumadinho outro tanto!

6. Quais as peças/artigos que tens em maior número no armário?
Camisas de vários tipos aos quadrados, antigas, de manga curta, algumas da marinha antes do 25 de abril ou do exército, houve uma altura em que ia sempre à loja mais antiga das aldeias comprar camisas de velhinho!


7. Gostas de ir às compras ou é tortura?
É como ir à caça, chegas lá vês a presa e atiras. Gosto de ir desta forma, decido e vou. Normalmente é rápido, sei exatamente o que quero!

8. Como é que escolhes/compras a tua roupa?
Sei do que gosto: calças apertadas, cores, coisas temáticas e regionais, quadrados e riscas, camisas de pescador, ténis e botas. Casacos de lã e pullovers às cores e coletes de malha! As camisas de pescador vêm desde os 16 anos.

9. Encomendas roupa online?
Durante algum tempo, sapatos e ténis da swear e alguns produtos da boxfresh!

10. Qual a tua loja preferida?
Depende, mas como é como ir à caça na verdade são muitas. Há uns rituais engraçados. Por exemplo, antes de cada estreia de filme ou performance é normal comprar sempre uma peça de roupa diferente!

11. Qual a tua peça de roupa preferida? - neste momento e de toda a tua vida (algum artigo que tenhas amado perdidamente e que morreu de velho)
Camisas de pescador e aos quadrados, tive uma durante 20 anos, linda com umas golas de aviador e bolsos mesmo de fazenda, incrível. Infelizmente perdeu-se!

12. Há alguém cujo visual "invejes"?
Há as que respeito, todas aquelas que têm o seu estilo, que se vestem de uma forma é que é só delas!

13. Já houve alguma altura da tua vida em que querias vestir-te como alguém? Quem?
Quando era adolescente passei por uma fase assim, mas durou pouco, sempre gostei de cores e na altura o preto era a imagem de marca de qualquer pessoa que não quisesse, no liceu, ser uma caixinha como beto, freak, gótico ou metálico! Ah, a única coisa que que queria mesmo imitar era a barba do Pedro Stray da Monster Jinx.
14. Alguma vez saíste de casa sem sapatos, com uma meia de cada cor, com a camisola do avesso ou outro episódio semelhante? Qual?
Sim isso já fiz tantas vezes que é mais comum as vezes que não o fiz!

15. O que trazes vestido neste momento?
Calças laranja de bombazine da Benetton, botas Green Boots, camisa aos quadrados de flanela azul e branco de uma loja velhinha em são bento e camisola de lã amarela la paz. 

16. Se hoje tivesse sido um dia perfeito, com tempo para tudo o que precisas, o que terias vestido?
O mesmo.

17. O que achas que devias eliminar do teu guarda-roupa de uma vez por todas?
Vou eliminando muitas coisas e muitas vou perdendo com tanta viagem!

18. O que devias vestir mais vezes, mas não vestes?
Na verdade não sei!

19. Se tivesses de dar um conselho de estilo a ti próprio, qual seria? 
Era mais para ter mais cuidado, sou um bocado desmazelado com a roupa, os botões caem, as camisolas rompem-se etc... Coisas de quem trabalha muito no campo usando o mesmo que na cidade.

EarBOX: Roupa que dá música


Esta é uma roupa que dá música porque tem um sistema de áudio integrado nos capuzes. Super à frente, não? E tudo, desde a matéria-prima, à confeção e produção do packaging, é feito em Portugal, a partir de Braga. Na EarBOX®, todas as peças são compostas por auscultadores que proporcionam uma experiência musical ímpar, revestidos com peças de cortiça portuguesa, aliando tradição e tecnologia.

A EarBOX® nasceu da necessidade de criar uma simbiose movimento e música, dinamismo e inalienação. O objetivo da marca é oferecer aos clientes um universo de experiência sensorial e exclusiva, agregada ao ritual de compra e à utilização das peças. A preocupação inclui tanto os materiais como a confecção das peças para que o resultado do trabalho seja um produto de qualidade sublime.

Valorizando a tradição portuguesa enquanto sustento artístico e cultural, a marca apoia os produtos portugueses como símbolo de boa qualidade e sustentabilidade. A cortiça, reciclável e cem por cento natural, dá um dos toques nacionais às peças dedicadas a quem gosta de música, arte e movimento. Para além de ser muito leve, o material é impermeável a líquidos e a gases, elástico e compressível e de combustão lenta, para além de ser um excelente isolante térmico e acústico. 

WHAT' S IN YOUR CLOSET # 35 Cuca Roseta (cucaroseta.com)

Quando respondeu à entrevista trazia vestida uma camisa de ganga e umas calças cinzentas. Se tivesse sido um dia perfeito, Cuca Roseta teria optado por um vestido branco. A fadista que acabou de lançar o disco "Raiz" acha, aliás, que de uma vez por todas, devia eliminar as calças de ganga do armário e passar a usar mais saias compridas. Usar o"acessórios que fazem o estilo como cereja no topo do bolo" é o conselho de estilo que a cantora dá a si própria. Para isso, Cuca Roseta usa habitualmente chapéus, que são as peças que tem em maior número no guarda-roupa. 


Nunca encomenda roupa online e quando compra alguma coisa não é por ir à procura de algo específico. Cuca Roseta prefere ir vendo a loja e escolher algo de que goste muito e seja especial. Tudo dentro de um estilo que designa de "hippychic, entre o descontraído e o clássico". 


1. Qual é o primeiro momento do dia em que pensas na roupa que vais vestir?
De manhã, ao acordar.

2. Preocupas-te com isso ou vestes a primeira coisa que te aparecer à frente?
Visto o que sinto no momento. Há dias que me apetece amarelo e vou aos amarelos, outros preto, mas normalmente sigo-me pelas cores que me surgem ao espírito.

3. Qual a tua principal preocupação estética antes de sair de casa? Não sair maquilhada ou ter a certeza de que não te esqueceste de nenhuma peça de roupa fundamental?
Ter a certeza de que não me esqueci do casaco. Saio normalmente sempre a correr 

4. Qual é o teu estilo?
Diria uma especie hippychic, entre o descontraído e o clássico, simples mas sempre com um acessório a acompanhar, de preferência chapéus.

5. Como é o teu armário? Cheio, arrumado, desarrumado, caótico?
Não muito cheio, estou sempre a dar roupa. Arrumado.


6. Quais as peças/artigos que tens em maior número? Sapatos, vestidos, camisolas?
Chapéus.



7. Como é que escolhes/compras a tua roupa?
Normalmente não vou à procura de algo especifico, vou vendo a loja e escolho algo que goste muito. Precisa ser especial para mim.

8. Encomendas roupa online?
Não, nunca.

9. Qual a tua loja preferida?
Não tenho, mas gosto da Quicksilver Woman.

10. Qual a tua peça de roupa preferida? - neste momento e de toda a tua vida (algum artigo que tenhas amado perdidamente e que morreu de velho)
Uns ténis que tenho há anos e que não deito fora.

11. Qual a pessoa (conhecida ou não) cujo visual "invejas"? Gostavas de ser como quem?
Não tenho assim nenhuma referência. A minha forma de conjugar roupa é muito consoante a energia que tenho.

12. Já houve alguma altura da tua vida em que querias vestir-te como alguém? Quem?
Tomb Raider

13. Alguma vez saíste de casa sem sapatos, com uma meia de cada cor, com a camisola do avesso ou outro episódio semelhante? Qual?
Meias, muitas vezes, quando era nova.

14. O que trazes vestido neste momento?
Uma camisa de ganga e umas calcas cinzentas.

15. Se hoje tivesse sido um dia perfeito, com tempo para tudo o que precisas, o que terias vestido?
Um vestido branco.

16. O que achas que devias eliminar do teu guarda-roupa de uma vez por todas?
Calcas de ganga.

17. O que devias vestir mais vezes, mas não vestes?
Saias compridas.

18. Se tivesses de dar um conselho de estilo a ti própria, qual seria?
Não deixar de usar os acessórios que fazem o estilo como cereja no topo do bolo.

I don't care!


Ela era gira, mas tenho a impressão de que agradava mais às raparigas do que aos rapazes. Não era meiga nem demasiado insinuante, ainda que nos vídeos aparecesse bastante descapotável. Mas gritava. A Wendy  James gritava contra os rapazes  (Honey I don' t care, I don' t want your money), era roqueira e, basicamente, parecia uma gaja bastante decidida e por isso que eu gostava dela.  Ainda hoje não sei se a música tem grande qualidade ou não, nem tenho a pretensão de saber. O que sei é que há dias em que preciso de ouvi-la outra vez. Hoje é um deles. (e não tem nada a ver com gajos, tem mesmo a ver com o I don't care.

WHAT' S IN YOUR CLOSET # 13 Rita Redshoes (ritaredshoes.com)

"Passa mais vezes a roupa a ferro, Rita" é o conselho de estilo que a cantora dá a si própria na primeira entrevista da Divine Shape a uma "estrela" nacional. Foi uma surpresa, esta resposta da Rita Redshoes. Sê-lo-á para muitos dos seus fãs, habituados a vê-la sempre impecável e até glamourosa nos concertos e nas capas dos discos. Mas esta resposta, que achei adorável, mostra-me uma Rita simples, igual a tantas de nós, que se prontificou imediatamente a responder às perguntas da rubrica WHAT' S IN YOUR CLOSET e a enviar-me as fotografias do seu armário. 

Rita acha que devia vestir mais vestidos clássicos, porque os adora e os tem, mas falta-lhe perder a preguiça. No armário onde as peças que existem em maior número são casacos e sapatos também estão camisolas de lã cheias de borboto que deviam ser banidas de uma vez por todas (quem não as tem?).  

A artista diz não ter noção de ter um estilo (mas tens, Rita, e muito) e que se veste de forma confortável e com peças com algum significado emocional - seja por terem sido oferecidas ou por serem de família. Sim, a Rita é um pouco "recolectora" e, por isso, o armário é "cheio e desarrumado". Não lhe faltam, também por isso, artigos que ela tenha amado tanto que morreram de velhos: umas botas que gastou até ter o calcanhar no chão, um casaco de malha branco da avó, por exemplo. A ligação afetiva da cantora às peças é de tal ordem que ainda usa um anel que a mãe lhe deu quando era pequena, e que hoje apenas lhe serve no dedo mindinho.

Quando era mais nova, Rita quis imitar muita gente e muitos estilos. Atualmente diz estar resignada ao que é. Sinceridade devia ser o nome do meio da cantora, porque a mensagem deixada no meio do armário cheio e das roupas foi que sermos quem somos é um trabalho diário. Eu acho que é. Talvez o mais difícil de todos...

Com o arrojo de uns sapatos vermelhos, Rita Redshoes ganhou fama em março de 2008, com o lançamento do disco "Golden Era" (que chegou a Disco de Ouro, pela venda de 10.000 unidades). Em junho, é lançada  “The Beginning Song”, uma das suas pérolas, cujo clip foi inspirado em programas de televisão de música country dos anos 50 e 60. “Lights & Darks”, o segundo disco de originais de Rita Redshoes é editado em Junho de 2010. “Captain Of My Soul”, tema de abertura, rapidamente se tornou um êxito. Em março de 2012, Rita estreou o espetáculo “The Other Women – O mundo nas canções d’Elas”, e eu apaixonei-me pela versão da música 9 to 5.



1. Qual é o primeiro momento do dia em que pensas na roupa que vais vestir?
Apenas quando me vou vestir.

2. Preocupas-te com isso ou vestes a primeira coisa que te aparecer à frente?
Depende dos dias, normalmente guio-me pelo o humor, mais optimista ou menos, em dias de stress vai a primeira coisa que aparecer.

3. Qual a tua principal preocupação estética antes de sair de casa? Não sair maquilhada ou ter a certeza de que não te esqueceste de nenhuma peça de roupa fundamental?
Pensando nisso seriamente, acho que me incomoda sair sem pôr o meu perfume ou não trazer o casaco adequado para o frio!

4. Preocupas-te em aplicar cremes, maquilhar-te, pintar as unhas, arranjar o cabelo, etc?
Eu sou bastante relaxada com todas essas coisas. Ponho um creme hidratante, é raro maquilhar-me, as unhas são para tocar, portanto nada de unhas muito cuidadas, o cabelo é a maior guerra por ter vida própria, portanto é onde perco mais tempo, a tentar domá-lo.

5. Qual é o teu estilo?
É o meu. Não tenho noção de ter um estilo. Visto-me de uma forma com a qual me sinta confortável e com um significado mais emocional, ou seja, a peça que alguém me ofereceu ou que era de família ou que me transporte para um determinado imaginário onde me apeteça estar.

6. Como é o teu armário? Cheio, arrumado, desarrumado, caótico?
Como sou um pouco recolectora, tenho obviamente o armário cheio e desarrumado. Tento pôr uma ordem no início de cada estação mas rapidamente se transforma num caos com o dia a dia.

7. Quais as peças/artigos que tens em maior número? Sapatos, vestidos, camisolas?
Hum...Acho que casacos. A seguir é possível que sejam os sapatos.

8. Como é que escolhes/compras a tua roupa?
Quando tenho paciência vou a lojas. Rejo-me muito pelo gosto claro mas também pelo preço. Sou altamente forreta. Sou fã dos saldos ou de outlets.

9. Encomendas roupa online?
Sim, aliás toda a minha roupa de concerto é comprada no Ebay.

10. Qual a tua loja preferida?
Ebay.

11. Qual a tua peça de roupa preferida? - neste momento e de toda a tua vida (algum artigo que tenhas amado perdidamente e que morreu de velho)
É difícil. Já tive algumas com esse estatuto. Um casaco da minha mãe que herdei, umas botas que usei até ter o calcanhar no chão, um casaco de malha branco da minha avó. E tenho especial estima por um anel de quando a minha mãe era pequenina que ainda me serve no dedo mindinho.

12. Qual a pessoa (conhecida ou não) cujo visual "invejas"? Gostavas de ser como quem?
Acho que passei essa fase na adolescência. Quis imitar muita gente e muitos estilos. Agora que estou velha já me resignei ao que sou felizmente, embora seja um trabalho diário sermos quem somos.

13. Já houve alguma altura da tua vida em que querias vestir-te como alguém? Quem?
Sim, na adolescência. Não alguém em específico mas estilos. Tive a altura do grunge, as calças de ganga rasgadas e as t-shirts maiores do que eu ou, de forma mais ligeira, um estilo mais clássico inspirado nos anos 50.

14. Alguma vez saíste de casa sem sapatos, com uma meia de cada cor, com a camisola do avesso ou outro episódio semelhante? Qual?
Que me lembre nada de grave. Não sou assim tão distraída. A meia de cada cor é provável, de manhã cedo o preto e o azul escuro combinam otimamente!

15. O que trazes vestido neste momento?
Umas calças de bombazine e um camisola gigante de lã. Ah e as botas da estação, que são um pouco rancheiras!

16. Se hoje tivesse sido um dia perfeito, com tempo para tudo o que precisas, o que terias vestido?
Honestamente...acho que estaria vestida exatamente como estou.


17. O que achas que devias eliminar do teu guarda-roupa de uma vez por todas?
As camisolas de lã com quinhentos anos e cheias de borboto.

18. O que devias vestir mais vezes, mas não vestes?
Vestidos clássicos. Adoro-os e tenho alguns mas depois no dia a dia dá-me a preguiça.

19. Neste preciso momento tens 1000 euros na mão para gastar só em ti. O que fazes com esse dinheiro?
Viajo para uma ilha algures no Índico com um SPA maravilhoso e leio livros enquanto recebo massagens!

20. Se tivesses de dar um conselho de estilo a ti própria, qual seria?
Passa a roupa mais vezes a ferro Rita!

The next WHAT'S IN YOUR CLOSET it is a big surprise!

Amanhã, sexta-feira, GRANDE SURPRESA no WHAT' S IN YOUR CLOSET no blog Divine Shape. STAY TUNNED! 
She is a POP STAR!!

Banda sonora


Diz que esta foi a música que serviu de banda sonora para a mudança de visual do meu blog. É dela que fala hoje o Quarto de Mudança. Obrigada, meninos (e menina)!.

Tenho fome de cultura




Comprei os bilhetes à maluca, porque no minuto em que foram postos à venda desapareciam como se fossem pães quentes no dia em que tinha sido determinado que nunca mais na vida teríamos pão para a boca. Escolhia os lugares, hesitava em avançar com a compra e pronto, já estava vendido. Deixei-me de coisas e comprei, há tanto tempo que já não me lembro quando foi, acho até que foi no ano passado.

Ontem, estive lá, na Casa da Música, a ver os Dead Can Dance. Foi um concerto fantástico para uma plateia fantástica, porque toda a gente se mostrou fervoroso fã dos australianos que lançaram o primeiro álbum em 1984, acabaram no fim da década de 90 e este ano editaram um novo disco, Anastasis (o primeiro desde Spiritchaser, de 1996).

Ela, Lisa Gerrard, tem uma voz que nos embala e transporta para outros mundos, lavando-nos a alma como se tivessemos tomado um banho interior. Ele, Brendan Perry, é, para mim, uma das melhores vozes masculinas do mundo da música. Ouvi-lo é mais do que uma lavagem da alma, é como se tivesse alguém a embalar-me e aconchegar-me na cama.

Cairam-me lágrimas por diversas vezes durante o concerto, assim como à rapariga que estava à minha frente, ao rapaz que estava ao meu lado e a muitas outras pessoas, acredito eu. No meu caso, algumas foram pela emoção da música. Mas muitas - grande parte, acho eu - foram pelo deslumbramento de estar a assistir a um concerto (coisa que já não fazia há uns quatro/cinco anos, por razões que não interessa algora referir).

O mundo parou, ninguém me esteve a buzinar aos ouvidos que estamos em crise, não ouvi nenhum ministro a anunciar medidas incompreensíveis e depois recuar e avançar novamente para outra coisa diferente que no fundo é exatamente a mesma coisa ou ainda pior.

Mas o concerto de ontem foi muito mais do que isso. Não foi só entretenimento, ou diversão, ou distração, ou descontração. Foi Cultura. Foi dar carburador ao cérebro e ao coração. Foi ter relembrado que a Cultura me (nos) faz falta. Que realmente ela é o alimento da nossa alma. Que se não podermos assistir a concertos, a  peças de teatro ou comprar livros, ficamos entorpecidos, emburrecidos, estupidificados, definhamos.

Ainda que pensemos e reflitamos sobre tudo o mais alguma coisa, se não tivermos Cultura temos muito pouco. E isto não é uma coisa que se resolve com saídas à noite para beber uns copos e dançar. Porque não estou a falar em relaxar, estou a falar em alimentar a alma. Sem isso, só não digo que não temos nada porque com os cortes que os nossos salários têm sofrido e vão continuar a sofrer, a necessidade primeira e absoluta é assegurar que não falta comida na mesa.

Acontece que isso não significa que não se continue com fome - de Cultura ou de outras coisas, porque  viajar, por exemplo, também é uma forma de alimentarmos a alma, de ficarmos mais cultos, mais despertos, mais preenchidos. É por isso que, em tempos de crise ou de bonança, a cultura não devia ser considerada um artigo de luxo. E é, porque aceder a ela fica caro.

Music & Politics - Well done, James!

Uma crítica descarada. Frontal. Sem pudores ou medinhos. Uma mensagem direta e frontal. Um alerta. Um agitar de consciências, mesmo para nós, que vivemos aqui. Tudo isto vindo de um english man em Portugal: Saul Davies, dos James, deixou ontem o Rock in Rio Lisboa de boca aberta quando, num português quase perfeito, fez questão de deixar ao país alguns recados (pode ouvir-se aqui a segunda parte da mensagem).
 
Seguiu-se a música Sit Down, que o vocalista Tim Booth lembrou tratar-se de um tema de solidariedade. E foi lindo, ouvir a música, cantada de forma sentida, com um arranjo musical que adorei. Vibrei sobretudo devido à mensagem que a antecedeu. Mas também porque aquela foi mesmo, naquele momento, uma música de companheirismo e camaradagem com um país onde os idosos não conseguem pagar a conta da luz, onde há escolas que fecham porque o Governo não tem dinheiro, onde quem tem os nossos sonhos nas mãos não tem a habilidade de se sentar junto a nós.
 
A música também é isto. Também pode ser, e às vezes deve ser, intervenção política. Apenas lamento que os portugueses que passaram pelos palcos do Rock in Rio e que têm passado pelos palcos do país não sejam tão acutilantes.