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É por estas e por outras que não gosto de Janeiro

Não basta ser o mês mais interminável do ano, apesar de ter os mesmos 31 dias de outros meses do ano, agora recebo uma fatura da luz de 112 euros e nem sequer liguei nenhum aquecedor... será que ando a lavar demasiada roupa?

Muitas brancas, apesar da idade


Não estou velha, não me sinto velha, nunca aliás me senti tão bem comigo própria, mas a verdade tem de ser dita: a dada altura a idade faz-se notar e sentir. Ando enfiada numas meias de compressão por causa das varizes e das pernas cansadas e, já para não falar das dores nas costas, tenho uma valente mecha de cabelo completamente branca. Ela já lá anda há uns tempos valentes, mas bastante discreta - tenho a sorte de estar coberta por cabelos pretos, por enquanto foi sempre possível disfarçá-la. Até que decidi cortar a franja. Disseram-me que pareço a Louise Brooks, atriz de cinema mudo, e a franja realmente está mais ou menos assim, como a da Louise na fotografia, o cabelo é que está mais comprido. 

Até ficou giro, o corte. Mas como a franja foi feita com pouco cabelo, não fosse eu arrepender-me (truques, lá está, com a idade e com as asneiras aprende-se a ter cautelas e a conhecermo-nos ao ponto de saber que o que parece uma excelente ideia se pode tornar num pesadelo), são poucos os bocados de cabelo que tenho na franja em cima da tal mecha cheia de brancas. 

Já tentei tirá-las e já tirei umas poucas. Mas cheguei a uma parte em que é absolutamente impossível arrancar aquilo tudo. Não tenho medo de que me nasçam sete por cada branca que tire. Nunca tive. E nunca me apercebi que tivessem aparecido mais por ter decidido arrancá-las Mas levaria uma eternidade a tirar aquelas brancas todas, uma a uma, e falta-me tempo e paciência. A idade não perdoa. Por isso, depois da franja, virá o banho de cor. Não é por medo da velhice, que estou longe disso e cada ano que passa só me tem deixado a sentir melhor. É só porque não gosto. 

More than words


Mother's day and mother's day gift at school. I love you. Not for this, just for being you. 

O Público

O Público foi a minha primeira casa. Foi o jornal que escolhi para estagiar. Lutei muito para lá chegar porque era lá, e apenas lá, que ambicionava trabalhar. Os textos mais bem escritos, excelentes reportagens, ótimos jornalistas, tinha resmas de jornais guardados, resmas de reportagens arquivadas por temas, artigos de opinião, crónicas, tudo. Era o meu jornal antes de lá chegar. Transformou-se na minha casa quando lá entrei pela primeira vez, sem saber quase nada de jornalismo, cheia de medo daquela gente que lia e admirava todos os dias.
 
Não terei saido de lá uma jornalista completa, mas aprendi muita coisa. A mais importante talvez tenha sido que os amigos que fazes no Público ficam no Público. Isto pode não fazer sentido, lido literalmente, mas a questão é que nunca deixei de me sentir parte da casa, nem nunca me fizeram sentir de outra forma.
 
Fui para outro jornal, trabalhei lá de corpo e alma e sabe-se lá mais o quê, mas durante muito tempo era duro subir aquelas escadas das instalações antigas para visitar os amigos, por causa da angústia de profissionalmente não poder ali estar. Aprendi muito na minha outra casa. Foi nela que me fiz jornalista. Mas o Público foi sempre o lugar onde quis voltar.
 
Entretanto passei pelo encerramento de um jornal. Todos despedidos. Não é bonito ver um jornal inteiro de rostos soturnos e cheios de lágrimas. Entre as fotografias de todos, o Público escolheu o meu olhar de desalento como fotografia de capa do dia seguinte. Não foi por nada, foi porque aquele era a melhor foto, porque o Público é assim.
 
Hoje, quando percebi que estavam a despedir colegas com quem ainda ontem estive a trabalhar, colegas que na semana passada andaram a carregar o meu computador por causa do meu problema nas costas, colegas que estão no Público desde a sua fundação, percebi que o Público ainda é (era?) a minha casa. Não foi comigo, mas doeu. Muito.
 
São só mais 46 desempregados no meio de tantos? Só mais uns jornalistas sem emprego, no meio dos muitos que já o perderam ou correm o risco de perder? Não, porque estes são um bocadinho meus, um bocadinho de mim. Não consegui apenas engolir em seco, mas isso foi por causa deles, dos que vão para a rua, dos que ficam a ver os outros arrumar gavetas e a dizer adeus, do "e agora o que vai ser deles, disto, de nós, será que um dia chega a nossa vez? que vai ficar a pairar no ar". Porque sei o que é ficar sem chão e não gosto de ver ninguém assim.
 
E não, não se fazem jornais sem jornalistas, por mais contas e orçamentos que se façam. Muito menos se fazem jornais sem jornalistas com memória. Nesse caso não serão jornais nem jornalismo, já será outra coisa qualquer.
 
O blogue vai sofrer transformações já semi-anunciadas, mas tendo em conta que a mudança de visual ainda não se concretizou e algo de grave aconteceu, continuemos com o caos de assuntos que se têm misturado por aqui.
 

No campo

Andei a cortar ervas com uma sachola e a juntá-las com um ancinho, fiz duas bolhas nas mãos,  o meu filho andou a ajudar e disse que era um homem da quinta (eu era a mãe da quinta), dormi uma sesta com ele embalada pelo som dos passarinhos e estou como nova. Mais por ter andado a mexer na terra do que por ter dormido. Arranjem- me um trabalho que possa ser feito apenas através da internet que eu mudo-me já para lá. Sim, porque cavar, plantar e colher dá trabalho e até dá legumes para por na mesa, mas dinheiro não.