Ó mãe, gosto de falar contigo, percebes?

No fim de semana, para além dos trabalhos de casa, o problema também era que "sabes, mãe, não sou feliz na escola, ninguém brinca comigo". Esse era até, dizia ele, o verdadeiro problema. Na altura tremi um bocado, mas duvidei outro tanto, devido a relatos anteriores de brincadeiras com os amigos que ficaram no infantário. Ele insistia que não, que não brincavam com ele. 

Mas ontem falou nos colegas da turma do primeiro ano, e até fiquei a saber que a menina que só fala francês até percebe o que ele diz. Aproveitámos a boleia para o estimular a umas aulas grátis, mas ele não alinhou, anda a aprender letras, querem agora que vá aprender francês, nem sei o que isso é, e ainda por cima com uma menina, estão tolos, estes meus pais, deve ele ter pensado. Na realidade, limitou-se a desvalorizar a insistência. Mas soube indicar também quem era a menina mais divertida e a mais tímida, percebi que sabia bem o nome delas e isso pacificou-me um bocado.

Ainda assim, hoje de manhã, cada um do seu lado da rede da escola à espera do toque de entrada, sugeri que fosse mais para junto da sala, para aproveitar aquele tempo para brincar, para estar mais com os meninos da sala. Ó mãe, mas eu gosto de ti. Depois de me derreter em segundos, ia dizer-lhe que também gostava dele, mas ele interrompeu-me porque tinha mais para explicar: "Gosto de conversar contigo, percebes?". Percebo. 

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