Espartilhos? Não, obrigada

Foi preciso ter chegado aos 37 anos e emagrecer uns 20 quilos relativamente ao que quase sempre pesei para comprar uma cinta. Daquelas que nem sabia que existiam: superprofissionais, com push-up no rabo, aperto na barriga, definição da cintura até ao limite do sutiã e licra nas pernas para elas não roçarem e magoarem por causa do suor nos dias de muito calor (ou para as definir, no caso de ser preciso). 

No meu caso procurava especificamente o push-up para o rabo, porque cismei que ficava mais elegante, mas de todos os modelos existentes, esta, a mais completa, foi a única que pareceu resultar.

Tudo isto pela perspetiva de participar naquele que pode ser o último casamento de toda uma geração, seja ela familiar ou amiga. 

Nunca casei, pelo menos não durante o dia, sem ser num vestido preto e num bar ao som das minhas músicas favoritas, com os meus melhores amigos e um bolo de chocolate maravilhoso. 

Nunca casei como casam as princesas e, mesmo que racionalmente não queira fazê-lo, há em mim um pequeno lado de vaidade no desejo de, pelo menos durante uma hora, estar mais do que perfeita no casamento que pode ser o último de uma geração (os outros, se os houver, já serão os dos meus filhos, dos filhos dos meus amigos e dos meus primos em segundo grau, acho eu).

Não comprei sapatos novos, vou levar uns que levei a um casamento há sete anos, mas comprei uma porcaria duma cinta mais cara do que uns sapatos, porque meti na cabeça que precisava daquilo. A menina da loja disse-me que não, mas eu sou teimosa. 

Ou fui - até concluir, hoje, que aquilo me faz muito calor e que prefiro o meu rabo ao natural do que andar um dia inteiro enfiada num mini-fato de licra. 

Nem é que aperte muito, mas não é natural, fico cheia de calor e a sentir-me num colete de forças. Para espartilhos, já bastou a luta que foi para as mulheres deixarem de os usar. 

Acresce que não vislumbro garantias de aquilo se manter preso no sutiã até ao fim do dia, pelo que o risco é, volta e meia, ter um pedaço de tecido caído na zona da barriga e andar de cinco em cinco minutos na casa de banho a puxá-lo para cima.

Percebi, entretanto, que sempre que precisar ir à casa de banho, terei de me despir praticamente toda - puxar o vestido todo para cima, despir a cinta toda para baixo, voltar a puxar a cinta para cima, ajeitar o vestido para baixo. 

O que raio me foi dar na cabeça para querer, e comprar, uma coisa daquelas? O próprio facto de existir uma cinta daquelas no tamanho S devia ter servido de sinal para alguma coisa. Não foi, mas serviu de emenda. 

Pisca: Dá vontade de lhe piscar o olho e muito mais


Nasceu em 2004 (foi mesmo assim há tanto tempo?), no Mercado Mundo Mix, no Porto. Já chegou a Barcelona. E merece. A Pisca inclui peças de homem e senhora, essencialmente em jerseys e felpas - algodão, modal, viscoses -, combinados com outros materiais como redes, franjas e brilhos inesperados, sempre produzidas em edições limitadas.

Atualmente, a marca está à venda na "Muuda" (Rua do Rosário - Porto), no "Rosa 78" (Rua da Rosa, 78 - Lisboa - Bairro Alto) na "Cus´n´kiss" (Rua do Encontro - Guarda) e no "GallaBCN" (Calle Capellans - Barcelona)

LOOK OF THE DAY: White, red and black



Sapatos às riscas da Lefties
Colar preto da Lefties
Camisola de manga curta da Zara (saldos)
Calças brancas da Zara (saldos)

Wek: Um simples fio transformado em arte




os tinha visto na montra da Scar.id Store e eles piscaram-me o olho (eu pisquei de volta, não sei se repararam). Felizmente, a loja estava fechada quando por lá passei. O encerramento é breve, para almoço, e até deixam contacto na porta, mas eu não podia entrar na loja. 

Ver tanta coisa gira do lado de fora convenceu-me que o melhor era fugir. Correr dali, sair rápido, virar costas, fazer de conta que não tinha lá ido, evitar saber dos horários, contornar qualquer vontade de lá passar a outra hora ou noutro dia, imaginar que nada daquilo existe, arrumar tudo no mais oculto dos ocultos lados da parte racional do meu cérebro - aquela que me diz, tantas vezes escusadamente, que não posso deixar-me levar por todas as minhas paixões. 

Se assim não fosse, e entrasse, dificilmente conseguia sair sem um monte de coisas lindas mas com os bolsos a voar de tão vazios e um sentimento de culpa pronto a transformar-me rapidamente em algo bem maior do que prazer da aquisição (ou aquisições - lá está, eram mesmo muitas coisas giras). 

Estava tudo muito bem até me cruzar hoje, sem querer, com os colares da Wek no Facebook. Despertou-se toda a vontade outra vez, ainda mais do que antes, porque não fui capaz de evitar espreitar o site da marca de joalharia contemporânea criada em junho de 2104 por Telma Oliveira e, lá chegada, deparei-me com uma diversidade e criatividade ainda maiores do que as que tinha visto do lado de lá da montra. Fiquei conquistada. Seria capaz de usar quase tudo, admiro todas as combinações e detalhes, é mesmo paixão. 

A Wek, wearable compliments, tem sede no Porto e explora materiais não convencionais. Reinventa outros e reconcilia a tradição com a inovação, misturando o trabalho manual com a produção industrial. O resultado é design exclusivo e edições limitadas.

A coleção atual junta um fio de atar habitualmente usado nas vinicultura com a modulação e a impressão a três dimensões. Interessante, não?

Os produtos estão à venda na Scar-id Store, na rua do Rosário, Porto, e na IvoMaia [designers], na rua Comendador Sá Couto, em Santa Maria da feira.