Jóias pequenas e simples de usar



O destaque particular é dado às coisas impercetíveis, à beleza das coisas pequenas e simples, para fazer objetos pequenos e simples de usar. A delicadeza das peças de joalharia do gabinete AgJc é notório, bem como a inspiração em formas geométricas.

Fernanda e Jérôme são o casal de designers que criam estas peças da AgJc, à mão, no seu atelier de Paris, através da combinação de métodos tradicionais e contemporâneos. Simplicidade e originalidade é a marca dos artigos que produzem para serem usados no dia-a-dia.

Saltos rasos são tendência e a Weekend Barber mostra como podem ser encantadores



Tudo que seja calçado com saltos baixos desperta o meu interesse. Passaram-se anos até que as marcas percebessem que há todo um universo de gente interessada em moda e estilo que não gosta de saltos altos. Andei anos e anos em busca de saltos rasos interessantes e durante muito tempo não encontrei nada a não ser quando descobri a espanhola Camper. E, depois, quando descobri a brasileira Melissa. Foi uma mudança considerável no meu estilo de vida. De me vestir também. Sapatos rasos passaram a poder ir a casamentos, a sair à noite num estilo mais formal ou mais alternativo, tudo com muito estilo, sem a mínima sombra daquela desconfiança que antes tinha do se-calhar-devia-ter-feito-o-sacrifício-e-ter-posto-uns-saltos.

Agora não, é notório que são muitas as marcas a apostar nos saltos rasos, nomeadamente as grandes marcas. A Guava, marca portuguesa de sapatos com expressão internacional, é uma delas. Os outros sapatos podem ter um design mais cativante e arrojado, mas os saltos baixos também têm o toque necessário para os tornar diferentes e originais. A Weekend Barber, também nacional, é outro dos excelentes exemplos de como o design pode ser MESMO interessante, mesmo se os saltos não forem altos. A coleção primavera/verão 2014 já chegou para o comprovar. Adorei os exemplares todos, até as fotografias estão cativantes. Por falar nisso, senhores que vendem sapatos: quando os mostram nos sites, mostrem-nos calçados nos pés de alguém. É que ver o sapato é uma coisa, ver como ele calça é outra bem diferente (podia dizer o mesmo em relação à roupa, mas na roupa acontece mais achar que tenho de a experimentar para ver como me assenta no corpo; em relação aos sapatos, na maior parte das vezes apenas gostava de ver como ficam nos pés)

Não me parece que isto dos sapatos rasos seja só uma moda. Acredito que seja uma tendência. Os últimos anos, acho que sobretudo os últimos dois, mostram uma inversão. Quem gosta de estar na moda e de ter estilo também gosta de conforto. E também acredita que para ter estilo não é preciso estar nas alturas. Mais ainda, é gente que fica melhor sem salto, porque os saltos altos não encaixam com o resto do conjunto.

A menina dança?

Eu sei que eles têm salto e que o meu calçado não vai muito além dos totalmente raros. Mas estes são dos sapatos de salto de que mais gosto. Aprecio o design, a forma como assentam no pé, o aspeto vintage, a elegância. No fundo, também acho que, se a inspiração vem dos sapatos de dança, tem de haver neles algo de confortável (quem é que consegue dançar horas e horas com saltos nos pés se o calçado não for minimamente confortável? será tudo sacrifício?). 

Também pensava que o universo dos sapatos de dança só estava acessível em lojas especializadas e toda esta reflexão ocorreu durante um período considerável em que andei a fazer um longo trabalho sobre tango e durante todo o tempo em que, já tendo acabado a reportagem, não me saiam da cabeça o tango, a música, a cumplicidade do par, os movimentos arrebatadores e gentis, e aqueles pés enfiados em saltos como se estivessem numas sabrinas, leves, ágeis e fortes, tudo ao mesmo tempo.

Agora, para dançar ou não, existe a Rumbanita Dance Shoes, que nasceu do gosto pela dança de uma designer de calçado. Depois de descobrir o mundo das danças latinas, a ligação de Mariana Simões com o mundo da moda conheceu um novo aliado. A intenção foi criar uma linha de calçado confortável, bonito e a um preço acessível para as aulas de dança, cuja oferta não encontrou no mercado. Estava criada a janela de oportunidade para criar algo novo, cujo conceito passa por uma imagem ultra-feminina ligada ao vintage, pin-up e retro.

Com três coleções (Rumbanita Collection, Kizomba Diva Collection e Basic Star Collection), esta marca portuguesa promete encher de elegância, sensualidade e estilo todas as pistas de dança, mas também oferecer o calçado ideal, elegante e confortável (são eles que dizem, eu não experimentei) para casamentos ou eventos. Os sapatos com assinatura Rumbanita estão à venda no site www.rumbanita.com

Botas verdes






O verde não é a cor delas, faz parte do nome inglês dado à marca portuguesa que já se internacionalizou e que não descura as preocupações ambientais. É a partir de Leiria que a Green Boots produz botas e sapatos manufaturados nos quais se utilizam, entre outras matérias-primas, a borracha reciclada dos pneus, trabalhada e transformada em solas.

Criada em 2012 com base no legado do mestre do calçado nacional José Rodrigues Serrazina, a marca optou por ter como ponto de partida as botas que começaram a ser manufaturadas 58 anos antes. Todos os modelos são feitos usando os processos tradicionais da fábrica original, transformando cada artigo feito à mão num trabalho personalizado.

Cada par de Green Boots demora cerca de quatro horas a fazer, sem pressas, com o conhecimento, tradição, qualidade, materiais e dedicação típicos de outros tempos. Podia dizer que as botas me interessam pela sua vertente ecológica e tradicional, mas olhando para elas o que vejo é conforto e calor, muito calorzinho para manter os pés quentinhos, que eu preciso de botas praticamente até me sentir capaz de andar de sandálias.