Do que me fui lembrar: Wilson Phillips - Hold On


Não foi uma lembrança verdadeiramente espontânea. Estava a ver um filme daqueles muito, muito parvos que não servem para nada a não ser para nos distrair e deixar de pensar e as duas amigas da história adoravam esta música. Lembrei-me que eu também. Já não sei ao certo em que fase parva. Talvez na fase em que tinha uma qualquer paixão platónica e achava que ninguém gostava de mim e dificilmente a situação ia mudar. Daí o hold on. Tinha de esperar. Mas a música era uma espécie de tónico de força para a espera. Serviu durante os tempos. Não terão sido muitos porque, se não fosse o filme, já nem conseguia chegar às Wilson Phillips, quanto mais ao Hold On. Mas recordar é bom. Mais alguém se lembra disto?

Saldos, marketing e paixões platónicas na Zara

Entrei numa loja à procura das últimas pechinchas dos saldos, coisas que valessem mesmo a pena, como tecidos de qualidade a metade do preço ou menos, de preferência peças quentes para o próximo inverno, porque as lãs gastam-se muito e não são nada baratas. A determinação era não ultrapassar os 15 ou 20 euros, porque se são saldos, e já estão mesmo no fim, a intenção é encontrar as verdadeiras oportunidades. Como o casaco de lã comprido e quente que, há um ano por esta altura, levei para casa por cinco euros. O preço sem saldo andaria à volta dos 30. Isso sim, para mim é saldo que valha a pena. Até porque, um ano depois, se percebe que a peça, já a parecer muito usada e cheia de borboto, não valia mais do que os ditos cinco euros. 

Entro, então, na mesma loja do ano anterior à espera de sorte idêntica. Só vejo monos, tecidos finos, malhas demasiado remexidas, nada de casacões de malha ou sobretudos, que era o que eu procurava. A não ser os da nova coleção. Para onde quer que me vire só há casacos quentes, de modelos interessantes, em cores que adoro. A preços que não são de saldo. 

Já estava habituada a cruzar-me com novas coleções quando vasculhava o fundo do fundo dos saldos, mas o que via eram peças mais ligeiras e primaveris. Remexer o resto das promoções com peças da mesma estação direitinhas e quentinhas ali mesmo ao lado é tortura. Eu sei que a meteorologia anda baralhada, que não se pode confiar no clima, mas afinal quantas coleções/estações temos agora por ano? É tudo marketing, eu sei, mas não me lixem, ninguém vai usar os sobretudos e os casacos que vi na Zara com sandálias (ou chinelas), como mostram as fotos do site

Desconfio, também, que estes sobretudos e casacos não vão chegar aos saldos de primavera/verão e que, se chegarem, não vou querer ter nada com eles. Na verdade, aquele amarelo é uma tentação. E o rosa. E o cinza. E o preto e branco. Resta-me optar por esquecer. Ou olhar tanto para eles até chegar ao ponto de me fartar. O grande problema são estes botins/sapatilha. Não os vi ao vivo e não consigo perceber se se sujam facilmente, mas vou pensar que sim. E olhar para eles até encontrar outros que me deixem mais interessada. Platonicamente, apenas.



INKI: As carteiras que são a minha cara




É muito fácil encontrar algo de que goste, mas é difícil deparar-me com algo que verdadeiramente me surpreenda, que considere inovador, que queira ter só porque é único, diferente, out of the box. Explicar com detalhe que me causa espanto não é fácil de explicar. Talvez o segredo passe por ser algo em que o que admiro é o lado estético, muito mais do que o lado prático ou de necessidade.

É o caso destas carteiras da INKI. O conceito parece profundamente simples, mas também por isso me agrada. Questiono-me "como é que nunca ninguém se lembrou disto?". E concluo que, quem as idealizou, merece reconhecimento.

O resultado é genial, as cores estão excelentemente combinadas, os padrões maravilhosamente escolhidos. E o projeto é nacional.

Isto nada tem a ver com necessidade, porque carteiras tenho mais do que muitas. Mas que gostava de ter uma destas, gostava. Porque acho que combinam comigo, que "são à minha cara", que podia ter sido eu a lembrar-me de as fazer, se tivesse jeito para isso. Porque combinam com a roupa que visto, com a minha imagem, com o que sou. E para que uma peça não pareça mal num conjunto, para que não pareça estar fora do contexto, tem de ter tudo isto.

Talvez seja precisamente por esse motivo que algumas pessoas conseguem fazer combinações de padrões e cores de fazer inveja e eu não. Talvez eu não seja essa pessoa, mesmo admirando o gosto e as escolhas das outras que o são.

O projeto INKI pretende trazer ao mercado um produto que seja, ao mesmo tempo, inovador, exclusivo e versátil. Os mentores da marca são arquitetos e trabalharam na criação das peças inspirando-se na geometria. Cada uma delas tem uma história particular para ser contada.

Eu gostava de saber a história delas todas, mas sei que este é um produto do qual tenho de me manter bem afastada - qualquer hipótese de proximidade implicaria não resistir à compra, ou ficar miseravelmente infeliz por confirmar a genialidade do projeto sem o trazer para casa. 

Experimentar até resultar


A marca não é nova e já tinha chamado a minha atenção. Mas basta acenarem-me com saltos rasos nuns sapatos bem desenhados para eu ficar de beicinho caído. E foi o que me aconteceu com as mais recentes coleções da Xperimental Shoes. A de outono/inverno (adoro estas botas) e a já concluída primavera/verão 2015, cheia de inspirações japonesas, de saltos rasos e desenhos que nos fazem ficar perdidas de amores. A mim, pelo menos. Olhem só para a fofura daquelas botinhas brancas. E os sapatos azuis? A sola também parece ser super confortável. 

A Xperimental Shoes nasceu em setembro de 2012 a partir da fusão de duas áreas complementares: a moda e a comunicação. Inicialmente, a marca apresentava-se como irreverente, de vanguarda, até desafiadora e chocante. Com o tempo transformou-se em algo mais urbano, coerente e global, mas sem perder a personalidade. Eu gosto mais desta versão. Fiquei fã.