Mãe e filho


As ondas imperfeitas, a tirania da moda e o trabalho escondido

Inicialmente, gostei da ideia. Até tenho o cabelo naturalmente ondulado, de certeza que não seria muito difícil conseguir aquelas "ondas imperfeitas" que aparecem em todo o lado. Quando isto me ocorreu, ainda não tinha constatado que elas estão em todo o lado. Mas, como me interessei pela ideia, pesquisei um pouco e, desde então, estão sempre a aparecer-me à frente. E é aqui que a moda não combina comigo: quanto mais uma coisa está "em todo o lado", menos vontade tenho de a ter. Os blusões de cabedal, por exemplo: foram uma "tendência" da estação outono/inverno e continuam em "força", mas apesar de gostar do "look", perdi qualquer vontade que podia ter de ter um, porque comecei a cruzar-me com eles "em todo o lado". Não gosto destas febres, parece que andamos todos vestidos da mesma maneira. 

Voltando às ondas, descobri que as tais "ondas imperfeitas" são tudo menos naturais. Mostrei uma série de exemplos ao meu cabeleireiro e ele garantiu-me que era tudo conseguido à custa de ferros de modelar. Fiquei cética e tentei deixar as ondas do meu cabelo ganhar vida, primeiro com um creme de modelar, depois com um gel. Não resultou. Os meus caracóis, naturais, não ficam com um aspeto de "ondas imperfeitas". Experimentei até um ferro de modelar caracóis e... nos vídeos/tutoriais parece tudo muito simples, mas fazer aquilo a mim própria não resulta. Já nem quero saber se fica bem se for outra pessoa a fazer, porque a ideia inicial era que a coisa fosse fácil, rápida e "natural". 

E eis que concluo que uma coisa "natural" me está a dar demasiado trabalho, sem quaisquer resultados. E que, de repente, estou a ser comandada pela moda. Enquanto a moda parecia inalcançável, não me chateava. Saltos muito altos, roupas muito apertadas, cabelos longos, push-ups... nada disso me apetecia. Os looks 'naturais' sim. Contudo, esta ideia, que está na moda, de que as pessoas ficam bem como um ar "natural" é absolutamente castradora. Os looks "sem esforço" que vemos nas revistas, nos sites ou nas passadeiras vermelhas são tudo menos naturais, por mais naturais que possam parecer. Tentar imitá-los apenas nos faz sentir mais impotentes do que nunca. Mas só até conseguirmos perceber que nós. sem maquilhagem e sem cabelos estilizados, somos exatamente iguais a elas. Porque o ar "natural" delas tem muito trabalho escondido. 

Segredos de umas calças de ganga

 
 
Gostava de revelar todos os segredos de todos os atuais modelos de calças de ganga, mas se é isso que pretendem, podem parar de ler - todos os modelos é demasiada areia para a camioneta de qualquer um. O que eu queria eram umas calças de ganga normais, mas desconfio que isso já nem existe, ou que já nem sei bem o que isso é. Confesso que só procurei na Zara. E que, apesar de ter experimentado mesmo muita coisa, o mais certo é não ter testado tudo. 

Portanto, o que eu pretendia eram umas calças de ganga azul escura, sem rasgões, direitas e que não fossem demasiado compridas

Comecei por eliminar, logo à partida, os modelos à boca de sino. Primeiro problema: queria umas calças direitas, básicas, não queria skinny. Como diferenciar umas das outras? Deve haver uma maneira mas, à vista, as diferenças são ténues. Por isso, levei para o vestiário quase tudo o que tinha pernas direitas azuis escuras. 

Fiquei indecisa entre dois modelos: o embrace (terceira foto) e o essential fit (segunda foto; as da primeira foto chamam-se apenas 'calças de ganga', também custam 19,95 euros e não consigo perceber o que têm de diferente).

Foi aqui que a realidade levou a melhor sobre a ideia inicial de não comprar umas skinny. As tais 'embrace' pareciam ser skinny, mas eram mais curtas e mais justas no tornozelo, como eu queria - sobretudo para poder usá-las por dentro de botins. Para dizer a verdade, também eram as mais adequadas para as botas pelo joelho ou galochas. E não ficam mal com sapatos ou sapatilhas. 

Não vou levá-las só porque meti na cabeça que não quero umas 'skinny'? Estive quase, mesmo quase. Estive para vir embora sem nada, tal era a indecisão. Acabei por comprá-las, aconselhada por uma funcionária, por ter a possibilidade de as devolver depois de experimentar em casa e tirar as cismas. 

Acabei por não pensar muito. Na verdade, fiquei fã do modelo 'embrace'. Não pelo que é suposto o raio do modelo significar, mas pela forma como me sinto com ele. É como se as calças "abraçassem" o corpo, sem o apertar e sem alargarem, ao mesmo tempo que não preciso de dobrar ou fazer a bainha para ter um comprimento aceitável para a minha altura. 


Vestidos de papel


Vestidos de papel/paper dresses - just extraordinary! Mais da designer Asya Kozina para ler aqui.