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In love...

É mais uma das minhas paixões à primeira vista. Diz que se trata de uma das novidades da Zara na última semana. Eu tinha imaginado algo assim quando comecei a perceber que os blusões estavam em força nesta coleção. Tinha pensado, precisamente, em algo que não fosse pele ou imitação, porque tudo que se encaixa nesta classificação me dá arrepios, ao cruzar-se comigo na rua como se de uma epidemia se tratasse. Toda a gente de igual, ou quase, não interessa - têm todos (todas) o mesmo blusão de cabedal, seja ele verdadeiro ou falso, fique bem ou mal. Este é de tecido e tem aquele cinto original. Parece-me uma derivação interessante.  

Misturas

Não tenho a certeza de que o resultado resulte, mas hoje deu-me para misturar tudo. Ou estou vestida num clássido descontraído ou nada do que visto combina (ainda estou a tentar chegar a conclusões). Lenço clássico (um presente lindo, inspirada em azulejos, da coleção A Tale of Tiles, da Bainha de Copas and MariaMaria). T-shirt branca básica. Calças de ganga regular fit. Casaco de malha. Gabardine comprida. E sapatilhas.

Acho que gosto...


Acho que gosto destes. Ando viciada em azuis. São pancas. O mais normal é comprar pretos. Cinzas e azuis também - ficam bem com tudo. Depois tenho fases em que acho que preciso de rosas, vermelhos, amarelos e outras cores alegres para quebrar a monotonia dos pretos, dos cinzas e dos azuis. De vez em quando, apanho a febre dos azuis ou dos brancos. Neste momento estou na dos azuis. E, com isto, já escrevi não sei quantos carateres sem dizer nada. A minha esperança é um truque que estou a testar: quando gosto tanto de uma coisa que me apetece comprá-la, a vontade vai desaparecendo se insistentemente continuar a olhar para ela até me fartar.

Nem sei se vos ame...



Não sei se te ame, ou se te odeie, ó coleção de outono/inverno 2015/2016. Os exemplos que mostro das fotografias são todos da Zara, mas podiam ser de qualquer outra marca, porque o que está em causa são os pontos fortes desta estação, dos casacos oversize aos amarelos que dão personalidade a looks onde os básicos se destacam e onde regressam alguns clássicos como as camisas, os pretos, os brancos, as gangas e os azuis.

Resumindo: talvez nunca, como nesta estação, o que é moda coincida tanto com aquilo de que gosto - pretos, brancos, azuis, cinzas, e cores fortes para aquele toque especial (amo aquele casaquinho amarelo, coisa mais linda). Talvez por isso, o que sinto por esta coleção é um amor-ódio difícil de explicar (nunca disse que eu era uma pessoa fácil de entender). Ainda não sei se gosto de tudo e o problema é não ter dinheiro para tanto, ou se não gosto de tudo o suficiente para me deixar conquistar. 

Uma coisa esta estação já me ensinou: os sobretudos compridos, que desesperadamente procurei em estações anteriores convencida de que eram a salvação para todo o frio que sinto, não me favorecem nem um bocadinho, para não dizer que fico ridícula dentro deles. Depois de andar anos à procura de um, percebo agora, que eles estão em todo o lado, que sou demasiado baixa para que façam sentido e não andem quase a arrastar no chão, até porque continuo a não abdicar dos saltos rasos.

Entre todas estas contradições, aquele vestidinho azul não me deixa dúvidas: é lindo. E o casaco amarelo também!

Desejos


































São estes para levar, por favor. Nem é preciso embrulhar. Camper, na Prof ou na Goodvibes.

Dia de merda

Até dormi bem, pelo menos foi o que me pareceu, o dia amanheceu com sol, enfiei-me num vestido que não vestia há imenso tempo. calcei os meus botins vermelhos, o casaco cinza ficou perfeito, o cabelo estava ótimo, sai tarde de casa mas consegui chegar à escola do miúdo antes do toque, tomei o meu café nas calmas, fumei o meu cigarro, fui ao supermercado fazer as minhas compras, gastei menos do que estava à espera, estava tudo tão bem que quase me sentia a super-mulher.

Estava tudo bem até passar no sítio de sempre, com a coluna de sempre, e raspar o carro todo sem saber como. O carro é novo, vai demorar uns bons anos a pagar, não tenho dinheiro para o arranjar, ninguém se magoou mas, porra, o raio do carro está todo riscado e não havia necessidade. 

Há dias que nunca esquecemos por serem particularmente trágicos ou especialmente felizes, há dias assim-assim e há dias de merda, aqueles em que não acontece nada de muito grave mas em que se juntam uma série de circunstância que nos dão vontade de ir para a cama e esperar que passe.

Entretanto, não é grave mas é um bocadinho deprimente, apercebi-me de que o vestido que não vestia há imenso tempo e que até dava a sensação de estar a usar uma coisa nova está descosido em cinco (cinco!) sítios. Se chegar a casa sem ele se desfazer talvez este até seja um dia de sorte. 

Botins, a super moda do outono 2015


Nem é preciso entrar nas lojas, basta olhar as montras: os botins (ou ankle boots/botas pelo tornozelo) são uma das peças chave deste outono. Estão em todo o lado, nos mais variados modelos, alturas e tipos de salto. Parecem todos um bocadinho iguais, mas são todos diferentes. 

Neste início de outono e de outubro, ando um bocadinho obcecada com eles e voltei a ficar de beicinho caído por uns pretos da United Nude, à venda na Prof, que ando a namorar há anos. Têm um bocadinho de salto mas parecem-me lindos, confortáveis e muito mais perfeitos do que qualquer outra opção mais barata - talvez por isso, nunca os comprei, nem em saldos. 

Não sei se combinam com alguma das peças de roupa que tenho no armário, porque só uso sapatos rasos, botas e sapatilhas, mas a cada início de estação enamoro-me por eles, tão lindos, não fosse o preço e já eram meus. Ando durante dias (desta vez já são semanas) a convencer-me de que não posso (comprar) e, quando chegam os saldos, a descida de preço nunca é suficiente para me levar a achar que é uma aquisição que vale a pena. Até à estação seguinte, em que volto a morrer de paixão e fico a pensar por que motivo não aproveitei eu a redução de preço do ano anterior. 

Na imagem acima podem seguir as setas para ver os vários modelos que fui encontrando, de várias marcas, e que me agradaram.  

Ana Segurado: conforto e versatilidade

















Peças confortáveis, femininas e versáteis. É assim que a designer de moda Ana Segurado descreve a sua nova coleção de outono e inverno, que tem nos cortes assimétricos e nas sobreposições imagens de marca. Estes foram dois dos aspetos que retive mal vi as primeiras imagens dos artigos, a par das cores: branco, cinza e azul. Tudo simples mas com aquele toque especial que faz a diferença entre mais uma peça de roupa e algo bastante original. Em resumo: tudo aquilo de que gosto, numa coleção que seria capaz de levar toda para casa (particularmente os casacos com detalhes azuis, que amei!).

Mas a coleção e a marca, relançada em 2015 depois da passagem pelo Espaço Bloom do Portugal Fashion em 2012, são bastante mais do que isso: há uma clara aposta nos produtos "cruelty-free, com design orgânico e exclusivo". Isto porque a designer procurou "opções mais sustentáveis e ecológicas, com eco numa ideologia slow-fashion em oposição à cultura fast-fashion". Por isso, com excepção da lã, nenhum outro material de origem animal é incorporado no processo de confecção da marca. 

Na atual coleção, a criadora quis manter a aposta em peças confortáveis, sem descurar o lado feminino e versátil da marca. 

O destaque vai para as "texturas ricas e granulados naturais em cortes assimétricos e sobreposições". Nas matérias, predominam as fibras orgânicas e aspectos de lã conjugados com materiais aéreos e fluidos. As peças interiores funcionam a par dos casacos, para "criar uma proteção mais estruturada". 

A coleção vai comercializada online, através do site da marca, na loja CRU e na Galeria Ivo Maia Designers, em Santa Maria da Feira. As peças são de produção limitada, fabricadas em atelier. Do desenho à modelagem e confecção, todo o processo é feito em Portugal.

Espartilhos? Não, obrigada

Foi preciso ter chegado aos 37 anos e emagrecer uns 20 quilos relativamente ao que quase sempre pesei para comprar uma cinta. Daquelas que nem sabia que existiam: superprofissionais, com push-up no rabo, aperto na barriga, definição da cintura até ao limite do sutiã e licra nas pernas para elas não roçarem e magoarem por causa do suor nos dias de muito calor (ou para as definir, no caso de ser preciso). 

No meu caso procurava especificamente o push-up para o rabo, porque cismei que ficava mais elegante, mas de todos os modelos existentes, esta, a mais completa, foi a única que pareceu resultar.

Tudo isto pela perspetiva de participar naquele que pode ser o último casamento de toda uma geração, seja ela familiar ou amiga. 

Nunca casei, pelo menos não durante o dia, sem ser num vestido preto e num bar ao som das minhas músicas favoritas, com os meus melhores amigos e um bolo de chocolate maravilhoso. 

Nunca casei como casam as princesas e, mesmo que racionalmente não queira fazê-lo, há em mim um pequeno lado de vaidade no desejo de, pelo menos durante uma hora, estar mais do que perfeita no casamento que pode ser o último de uma geração (os outros, se os houver, já serão os dos meus filhos, dos filhos dos meus amigos e dos meus primos em segundo grau, acho eu).

Não comprei sapatos novos, vou levar uns que levei a um casamento há sete anos, mas comprei uma porcaria duma cinta mais cara do que uns sapatos, porque meti na cabeça que precisava daquilo. A menina da loja disse-me que não, mas eu sou teimosa. 

Ou fui - até concluir, hoje, que aquilo me faz muito calor e que prefiro o meu rabo ao natural do que andar um dia inteiro enfiada num mini-fato de licra. 

Nem é que aperte muito, mas não é natural, fico cheia de calor e a sentir-me num colete de forças. Para espartilhos, já bastou a luta que foi para as mulheres deixarem de os usar. 

Acresce que não vislumbro garantias de aquilo se manter preso no sutiã até ao fim do dia, pelo que o risco é, volta e meia, ter um pedaço de tecido caído na zona da barriga e andar de cinco em cinco minutos na casa de banho a puxá-lo para cima.

Percebi, entretanto, que sempre que precisar ir à casa de banho, terei de me despir praticamente toda - puxar o vestido todo para cima, despir a cinta toda para baixo, voltar a puxar a cinta para cima, ajeitar o vestido para baixo. 

O que raio me foi dar na cabeça para querer, e comprar, uma coisa daquelas? O próprio facto de existir uma cinta daquelas no tamanho S devia ter servido de sinal para alguma coisa. Não foi, mas serviu de emenda. 

Pisca: Dá vontade de lhe piscar o olho e muito mais


Nasceu em 2004 (foi mesmo assim há tanto tempo?), no Mercado Mundo Mix, no Porto. Já chegou a Barcelona. E merece. A Pisca inclui peças de homem e senhora, essencialmente em jerseys e felpas - algodão, modal, viscoses -, combinados com outros materiais como redes, franjas e brilhos inesperados, sempre produzidas em edições limitadas.

Atualmente, a marca está à venda na "Muuda" (Rua do Rosário - Porto), no "Rosa 78" (Rua da Rosa, 78 - Lisboa - Bairro Alto) na "Cus´n´kiss" (Rua do Encontro - Guarda) e no "GallaBCN" (Calle Capellans - Barcelona)

LOOK OF THE DAY: White, red and black



Sapatos às riscas da Lefties
Colar preto da Lefties
Camisola de manga curta da Zara (saldos)
Calças brancas da Zara (saldos)

Wek: Um simples fio transformado em arte




os tinha visto na montra da Scar.id Store e eles piscaram-me o olho (eu pisquei de volta, não sei se repararam). Felizmente, a loja estava fechada quando por lá passei. O encerramento é breve, para almoço, e até deixam contacto na porta, mas eu não podia entrar na loja. 

Ver tanta coisa gira do lado de fora convenceu-me que o melhor era fugir. Correr dali, sair rápido, virar costas, fazer de conta que não tinha lá ido, evitar saber dos horários, contornar qualquer vontade de lá passar a outra hora ou noutro dia, imaginar que nada daquilo existe, arrumar tudo no mais oculto dos ocultos lados da parte racional do meu cérebro - aquela que me diz, tantas vezes escusadamente, que não posso deixar-me levar por todas as minhas paixões. 

Se assim não fosse, e entrasse, dificilmente conseguia sair sem um monte de coisas lindas mas com os bolsos a voar de tão vazios e um sentimento de culpa pronto a transformar-me rapidamente em algo bem maior do que prazer da aquisição (ou aquisições - lá está, eram mesmo muitas coisas giras). 

Estava tudo muito bem até me cruzar hoje, sem querer, com os colares da Wek no Facebook. Despertou-se toda a vontade outra vez, ainda mais do que antes, porque não fui capaz de evitar espreitar o site da marca de joalharia contemporânea criada em junho de 2104 por Telma Oliveira e, lá chegada, deparei-me com uma diversidade e criatividade ainda maiores do que as que tinha visto do lado de lá da montra. Fiquei conquistada. Seria capaz de usar quase tudo, admiro todas as combinações e detalhes, é mesmo paixão. 

A Wek, wearable compliments, tem sede no Porto e explora materiais não convencionais. Reinventa outros e reconcilia a tradição com a inovação, misturando o trabalho manual com a produção industrial. O resultado é design exclusivo e edições limitadas.

A coleção atual junta um fio de atar habitualmente usado nas vinicultura com a modulação e a impressão a três dimensões. Interessante, não?

Os produtos estão à venda na Scar-id Store, na rua do Rosário, Porto, e na IvoMaia [designers], na rua Comendador Sá Couto, em Santa Maria da feira.






LOOK OF THE DAY: Classic or sporty?

Skinny jeans - Massimo Dutti
Blazer e camisola às riscas - D' Origem
Sapatilhas Mustang

About me...

Este é o novo texto que está no "about" me do blog. Ninguém lê o "about". Nem eu. Se não tivesse recebido um mail inspirador de uma leitora fantástica, a Elsa, não tinha relido o texto escrito em 2012 sobre mim. Decidi atualizar algumas coisas. Para que conste, fica também em forma de post. Esta sou eu. Tenho pena de não ter guardado o texto anterior. Talvez fosse interessante registar o que vai mudando ao longo dos anos. Em menos de três anos, para cá foi bastante o que se alterou. Too late... já alterei o texto e não guardei o anterior. Fica para a próxima. No hard feelings. Just enjoy the day and do it for yourself!


STYLE. DESIGN. FASHION. LIFE.

São estas quatro palavras que resumem o projeto Divine Shape. Nascido em setembro de 2011, este é um blog de moda, mas eu não sou uma uma fashion blogger. Esta é uma publicação independente que tem por objetivo divulgar moda e o design alternativos, colocando o enfoque no que é novo, inovador, arrojado, out of the box.

Dar resposta a um nicho de mercado no qual me revejo mas que não encontrava nos blogues de moda habituais foi o propósito original do lançamento da Divine Shape. Se um projeto destes me fazia falta, tinha de haver mais pessoas interessadas em saber o que se passava fora dos circuitos da alta costura e das repetitivas lojas dos shoppings. Não queria apenas falar do que está super fashion em determinado momento, porque sobre isso fala muita gente ao mesmo tempo. A ambição é ir mais além (e sim, como o António Variações também quase só estou bem onde não estou).

A intenção é mostrar moda a quem não é doido por moda, a quem nem sequer tem grandes preocupações com o que veste ou nem tem dinheiro para fazer muitas compras, mas gosta de ver, conhecer e apreciar o que se vai fazendo de diferente, em Portugal e no mundo.

O que se pretende é divulgar coisas novas e atrevidas, que pouca gente conhece e sobre as quais os blogs, sites e revistas de moda em papel dificilmente falam. Não quero ser a Vogue (nada contra). Quero ser eu. Alternativa, apreciadora de coisas bonitas, de design e de moda, viciada em roupa, sapatos, relógios, carteiras e em composições de looks (no papel e na cabeça).

Divine Shape é nome de blogue e de página do Facebook, mas é também uma espécie de alter-ego (daí a referência no feminino).

Jornalista, blogger, caçadora de tendências, consultora de imagem, fashion adviser e personal shopper. Mãe, quase 38 anos. Lutadora, persistente, resiliente, insistente, insatisfeita, ainda e sempre à procura do um caminho mas cada vez mais perto de lá chegar. E de aproveitar o que vai aparecendo pelo caminho. Esta sou eu.

Um ano depois de ter sido criada, a Divine Shape já era mais do que um blog de moda. Inclui também artigos de trend hunting, colaborações com o Trend Alert, composições de looks e crónicas de reflexão sobre o mundo e a vida em geral. 

Trabalhar e saborear as palavras é um dos meus maiores prazeres e - não consigo evitá-lo - o meu quotidiano transforma-se, muitas vezes, em textos mentais que tenho de passar à escrita.

Este é, também, mais do que um blog feito ao acaso por alguém que aprecia coisas bem feitas mas não percebe nada de design: no fim de 2012 foi personalizado pelo Quarto de Mudança e ficou lindo.


Divine Shape
01 de Julho de 2015
(texto adaptado a partir do original, escrito a 20 de Novembro de 2012)

LOOK OF THE DAY: Summer


Vestido Titis
Sandálias Igor, compradas na loja Goodvibes (Porto)

LOOK OF THE DAY: Um destes dias

Casaco tipo trench coat Skunkfunk
Calças skinny jeans Lefties
Botas Zara
Camisola D' Origem (Caminha)

Nikibi: Minimalismo, o nosso novo vestido preto


As fotografias são muitas e nem sequer são para ilustrar a multiplicidade do talento da designer da marca portuguesa de joalharia contemporânea Nikibi. São imagens de tudo aquilo que gostaria de ter. Das peças que têm tanto a ver comigo que poderia comprá-las a todas (se pudesse, claro). 

Minimalismo não é o nome do meio da artista. É o nome todo da jovem que desenha estas peças. Começou por fazê-las em latão. Já vai na prata. Sobe o preço do artigo, mas também a qualidade. E confirma o talento. 

O minimalismo está mais do que na moda, é uma tendência (basta passar os olhos no instragram, para não ir mais longe). 

O minimalismo é o nosso novo vestido preto. Não compromete, fica sempre bem, acrescenta tudo parecendo que não faz nada.

E é por isso que a Nikibi está muito à frente. Mesmo as peças mais simples e discretas são um statement, um estado de espírito, uma afirmação. Até os mais pequenos dos brincos ganham vida nas orelhas. O difícil é mesmo escolher, porque mesmo o que parece muito igual assenta de forma muito diferente depois de usado. Vale a pena testar, quanto mais não seja pela descoberta. 

Estão a ver os brincos da próxima fotografia? Não dava nada por eles antes de os colocar. Não os voltei a tirar, e acreditem que experimentei muita coisa antes de me decidir.

Estas já são minhas (pulseira não incluída - quer dizer, a pulseira é minha, mas foi-me oferecida há uns anos valentes, desconheço o autor):




Todas as dicas possíveis (ou quase) para enfrentar um casamento com sapatos que magoam


Uma leitora enviou-me por e-mail (the.divine.shape@gmail.com) uma pergunta muito simples e direta que se transformou num guia sobre "como superar um casamento depois de ter escolhido uns sapatos que magoam horrores". Podia ter-me limitado a responder, mas não consegui. Só podia ir muito mais além, depois de confrontada com a hipótese de alguém ir a um casamento com uns sapatos que já magoavam antes do massacre de um dia inteiro em cima deles. 

Os leitores mais habituais talvez já se devem ter apercebido de que não uso sapatos altos - não consigo, não me sinto bem com eles e, como tal, elegância é tudo o que não conseguirei transmitir ao usá-los. Conforto não tem de ser sinónimo de displicência. Os sapatos rasos não têm de ser feios ou insípidos, nem demonstrativos de desleixo. Bem escolhidos, são uma demonstração de estilo - basta a pessoa estar confortável, sentir-se bem e ter nos sapatos uma parte do conjunto.

Os casamentos podem ser um verdadeiro castigo para os pés, todos sabemos disso. Quem nunca estreou uns sapatos no dia da cerimónia e acabou descalço, ou com muita vontade de o fazer, que atire a primeira pedra. Ainda recentemente, um colega do sexo masculino, que levou a um casamento uns sapatos que já não eram novos e que passaram pelo sapateiro para alargar, admitiu que ao fim da noite teve de os tirar. 

Agora imaginem o que pode acontecer a uns pés enfiados nuns saltos altos, que é o que a maioria das mulheres faz quando vai a um casamento. E que riscos corria uma mulher que já sabia da dor que os sapatos provocavam ainda antes de passar um dia em cima deles. As imagens que me passaram pela cabeça eram tudo menos boas: CASAMENTO (algo que é suposto ser um momento alegre, feliz e divertido) + SAPATOS QUE MAGOAM AINDA ANTES DE LÁ CHEGAR = Tudo menos felicidade e diversão.

A leitora gostou taanto da resposta que achou que eu faço disto profissão e que me devo divertir imenso com isso. Sou feliz a dar estes conselhos, realmente, e adoro lidar com moda e tentativas para superar dificuldades que, embora pareçam picuinhas, podem bloquear a vida de uma mulher. Ou a forma como ela encara a vida (ok, menos, eu sei que neste caso era só um casamento). A verdade é que ser Fashion Adviser não é a minha profissão, embora gostasse que fosse. 

Passo, então, a reproduzir o e-mail, com a devida autorização da leitora e alguns ajustes: 

A pergunta, como disse, era simples: "Vi no seu blog as sabrinas dobráveis, mas não sei onde as posso encontrar em Lisboa. Tenho um casamento no próximo sábado, levo uns sapatos que me magoam muito e gostava de levar o meu plano B na mala. Pode ajudar-me?"

Eu não pude ajudar muito porque as sabrinas em questão não estão à venda em Portugal e nem através dos meus contatos com a marca conseguiria fazê-las chegar a Portugal a tempo do casamento. À falta de melhor, seguiram-se os conselhos e toda uma tese sobre o facto de não ser necessário ir a um casamento de saltos altos. 

1. USE SAPATOS DE SALTO RASO
Até a Barbie, que passou uma vida inteira em bicos de pés, já usa saltos rasos, embora eu não saiba ainda se ela o faz para ir a casamentos. Tendo em conta que estamos a falar de uma boneca, a verdade é que ela pode fazer o que bem entendermos e, por mim, ela não só pode como deve ir a casamentos sem saltos altos. 

Para mim, o mais importante é o conforto. Para além disso, desde há muito que os sapatos rasos deixaram de ser desengraçados e desde há outro tanto que não faltam opções sofisticadas de sapatos sem salto. 

Não sei se já se apercebeu, pelos relatos no meu blog, vou ter um em agosto e que também andei/ando às voltas com os sapatos que vou usar. São raros os sapatos altos de que gosto e estou decidida a ir de sabrinas - tenho umas que comprei para um casamento a que fui em 2008, quando estava grávida do meu filho, e nunca mais as consegui calçar, pelo que estão novas (são as que se vêem na imagem e aqui).
Não suporto calçado que magoe e prefiro mil vezes ir confortável do que ir de sapatos altos ou sapatos novos que magoem só porque é suposto. Vou acabar por me sentir miserável e não há ninguém a sentir-se assim que possa, ao mesmo tempo, estar e mostrar sofisticação e elegância.

2. FAÇA TREINOS EM CASA PARA MOLDAR OS SAPATOS AO PÉ
Aqui, neste artigo, fala-se sobre como evitar que os sapatos magoem. Pode ser que ajude. Não sei até que ponto os sapatos que tem lhe magoam. Se já a magoam e muito, é provável que se tornem insuportáveis em pouco tempo no dia do casamento. 

O que eu costumo fazer quando tenho sapatos que magoam é usá-los em casa, ao fim do dia, enquanto faço as tarefas domésticas. Convêm usá-los e andar com eles durante algum tempo - o tempo suficiente para que o pé aqueça e se vá moldando ao sapato. 

Desta forma, é possível que consiga prever onde é que o sapato a vai magoar mais e onde é que poderá fazer bolhas (se fizer bolhas é muito mau e nem umas boas meias de vidro evitam as bolhas em alguns sapatos rasos, experiência dixit).

3. USE UMAS MEIAS GROSSAS PARA OS ALARGAR 
Pode também usar os sapatos em casa com umas meias grossas, para fazer o mesmo efeito ao mesmo tempo que os alarga um pouco. 

4. SE OS SAPATOS FOREM DE PELE, DÊ-LHES BANHO
Em último caso, se os sapatos forem de pele, pode dar-lhes um "banho" de água quente, secar com uma toalha e andar com eles calçados até secarem. O efeito é o mesmo - vai ajudar a que se moldem ao pé.

5. NÃO GASTE MUITO DINHEIRO NUM PLANO B
Se o que precisa é apenas de um plano B para o caso de não aguentar os ditos sapatos, a recomendação é que não gaste muito dinheiro, mas ao mesmo tempo compre qualquer coisa que possa voltar a usar. 

Tem de ser algo que combine com a roupa do casamento, claro, mas se for uma coisa para não voltar a usar vai ficar com dois sapatos no armário: os que magoam e os do plano B. 

Não se esqueça de também andar com eles em casa - a mim, até as sabrinas podem magoar-me e fazer-me bolhas.

6. ONDE ENCONTRAR SABRINAS GIRAS OU SAPATOS DE SALTO RASO DE DEIXAR UNS STILETTO ENVERGONHADOS
Quanto a opções, e já que me perguntou sobre sabrinas, há sempre soluções baratas na Lefties (o outlet da Zara) e na Parfois (ainda na semana passada lá vi umas prateadas bem giras, que podiam bem servir como plano B para mim).

Na Prof também há sempre várias opções, ainda que a preços menos simpáticos. Cheguei a namorar uns sapatos rasos United Nude prateados, mas desisti por causa do preço. Não os estou a conseguir encontrar no site, mas são a versão rasa deste sapato.

Na Eureka Shoes também se encontram modelos interessantes, às vezes a preços mais simpáticos do que os da Prof . por exemplo estes.


A dificuldade dos meios termos

Demasiado calor, depilação feita, há que aproveitar para usar um vestido, que o tempo vai arrefecer e entretanto os pelos crescem. Uma mulher tem demasiadas coisas para gerir e não é fácil fazê-lo numa cidade como o Porto, nomeadamente na primavera ou no verão, em que tanto está um calor tropical como está ameno, chove ou a temperatura desce abruptamente e até fica frio. 

Há que estar sempre de olho nas previsões metereológicas, porque o tempo aqui muda quando menos esperamos. A meteorologia nem sempre acerta, mas mais vale saber o que ela reserva para não dizermos que não nos avisaram. 

Pois hoje, apesar dos avisos de trovoadas e aguaceiros, estava demasiado calor para me enfiar numas calças. Mais do que isso, ontem fiz a depilação e, para amanhã, a previsão é que o tempo arrefeça. Concluo que mais vale usar um vestido de verão enquanto posso, não vá ficar frio ou não vá ter tempo para livrar as pernas dos pelos quando voltar a estar calor.

Enfio-me num vestido com três ou quatro anos, mais coisa menos coisa, o mais fresco que me aparece no armário. Já no ano passado estava mais larguinho do que quando o comprei, mas ainda assim era usável. Hoje fazia-me um fole nas costas, puxei o tecido que sobrava e cabia outra de mim lá dentro. Tira, veste outro. Comprado este ano. Talvez demasiado curto, ou demasiado marcado para um dia de trabalho. Mas agora que o comprei, tenho de o usar, era o que faltava deixá-lo apodrecer no armário. Olho ao espelho, não me parece mal. 

Diz que fica demasiado apertado, quase como se as costuras fossem rebentar - o comentário chegou quando já estava no trabalho, não tenho agora alternativa senão mantê-lo no corpo até chegar a casa. Não me sinto assim tão apertada, aliás nem me sinto nada apertada, mas fiquei a pensar naquilo. 

Talvez sejam demasiados anos a sentir-me olhada pelo que supostamente são as piores razões - ser gorda. Nunca gostei que fizessem comentários sobre o meu aspeto ou a minha roupa porque me sentia olhada. E ao sentir-me olhada sentia-me mal. 

Ter peso a mais não tem mal nenhum se a pessoa se sentir bem com isso. Eu não sentia. Agora nem sei bem que peso tenho (aquilo da balança da médica de família não é mesmo fiável, mas essa histórica fica para amanhã), mas há inseguranças difíceis de ultrapassar. Às vezes o melhor é passar por cima: eu sinto-me bem comigo e com o vestido, e isso é tudo o que, para o caso, realmente importa. 

50 quilos e coisas da sorte

A minha médica de família diz que peso 50 quilos. Ela não, a balança. A mulher até voltou a calibrar o aparelho de propósito porque eu não acreditava, dizia que era impossível.  Ela olhava para mim e achava que sim. Em todo o caso, acertou a balança, mandou-me subir outra vez. 50 quilos.

Continuo a achar que não é verdade. Tenho a certeza de que, se me pesar noutra balança, peso mais. Sei que estou mais magra, até posso admitir estar magra, mas nunca na vida devo ter pesado 50 quilos.

Talvez tivesse pesado isso quando era criança, e menos do que isso quando era bebé, mas lembro-me de ser bem pequena e andar a comer umas sopas/papas e a tomar uns comprimidos para emagrecer receitados pelo pediatra. Aquilo marcou-me para o resto da vida. Não teve efeitos nenhuns. A não ser fazer-me sentir diferente, para pior. 

Se tinha de comer aquilo e, ainda por cima, tomar comprimidos, sendo tão nova, algo estava errado comigo. Numa mais me livrei do rótulo e do peso que pus em mim própria por causa disso. Ainda hoje não estou totalmente recuperada, como se constatou pela incredibilidade perante várias pesagens na balança. 

Já mais velha, lembro-me de ter feito umas dietas parvas (cortar com tudo o que fosse doce, depois com os hidratos de carbono e por aí adiante até chegar ao ponto de a regra ser apenas ingerir vegetais ou fruta, exceções para um peixinho grelhado com legumes e para os almoços de domingo em casa da avó ou dias de festa). As dietas parvas encontrei-as em revistas femininas. Depois ainda me pus a fazer ginástica e aparelhos de musculação, o que não teria mal nenhum se o fizesse por prazer e para me manter saudável e em vez de ser um sacrifício para ficar mais magra. Porque, supostamente, mais magra, ou magra, era melhor. 

Eu, que nem era assim tão gorda - vejo agora pelas fotografias - meti na cabeça que era uma baleia e não queria ser, porque ser baleia era mau. As baleias (as gordas) não têm namorados porque nenhum rapaz quer namorar com uma baleia (gorda). As gordas são feias. Era o que eu achava. Parva. 

Com as dietas malucas e o exercício o menos que pesei foram 58 quilos. Estava bastante bem, com aqueles 58 quilos. Não tinha barriga. Tinha umas coxas jeitosas, um rabo também. Não me sentia magra, que era o que eu queria ser, mas sentia-me melhor. 

Depois fui engordando e emagrecendo, sempre sem fugir muito dos 58 quilos (quando emagrecia, entenda-se, porque numa das fases em que engordei cheguei aos 80 e ao tamanho 44/46). Já tive muita vergonha disto. Agora não. Estes 50 quilos, se é que são verdade, aconteceram porque tiveram de acontecer, não porque acordei um dia determinada a chegar aos 50 quilos. 

Aconteceu muita coisa que me tirou apetite e que aparentemente me deixou de vez sem ataques de gula, nomeadamente por chocolates e doces (fiquei assim depois do meu filho nascer). Tenho algum cuidado porque me sinto bem assim (mais magra), mas como de tudo - batatas fritas, pizzas, massas, bifes, pão com manteiga, tudo. Emagreci a sério na única vez em que não me pus a fazer dieta para emagrecer. Não deixa de ser irónico. Uma vida a tentar e acontece (em boa hora, é verdade) quando está longe de ser uma prioridade. 

É também uma lição. Por muito que nos esforcemos, as coisas às vezes não acontecem quando queremos. Acontecem quando tem de ser. Não adianta, por isso, desesperar, exasperar, sofrer, ficar de coração apertado. Quando tiver de ser, é. Para o bem e para o mal. Sendo certo que, como dizia o meu avô, para ter sorte é preciso muito trabalho. 

Trabalhemos, pois, até chegar(em) o(s) dia(s) de sorte. Que podem ser quando menos esperamos. E que até podem ser o que menos esperamos. Às vezes uma frase do filho e/ou a atenção/cuidado do marido basta para perceber que toda a nossa sorte até está mesmo ali ao nosso lado, todos os dias..